Obrigações ou depósitos: sabe o que escolher?

Andam à procura das poupanças das famílias. Não são só os bancos. Também as empresas realizam emissões de dívida e tentam atrair os pequenos investidores com taxas de juro muito apetecíveis.

São sinais dos tempos: o financiamento bancário vive momentos difíceis, que as empresas sentem na pele, procurando assim outra fonte de liquidez.

EDP, PT, Zon, Semapa, Brisa e Continente competem pelas poupanças com taxas de juro brutas mais elevadas do que as dos depósitos a prazo. Mas nem tudo são rosas: há que ter em conta outros custos associados a esta compra de dívida.

A procura pelas obrigações tem estado a superar as expetativas: o Continente, por exemplo, aumentou o montante máximo a vender aos investidores privados, seguindo a opção de outras empresas nacionais; a Semapa também duplicou a sua oferta, tal como a Zon Multimédia. A Brisa aumentou igualmente o limite máximo e a EDP decidiu fazer duas emissões, tendo já anunciado que irá vender mais dívida ao público.

A empresa de Paulo Azevedo passou dos 100 milhões para os 200 milhões de euros e promete uma taxa de juro fixa anual de 7%; no segmento de títulos de dívida dirigidos a pequenos investidores, é a que oferece a maior taxa de juro.

E apesar de a taxa ser insustentável para o financiamento a um país - 7%, foi a meta que o antigo ministro Teixeira dos Santos inscreveu como sendo o limite máximo que o Estado conseguiria aguentar -, para valores como os emitidos pelo Continente a taxa é apetitosa para os investidores e suportável para a empresa.

Mas antes de comprar mais do Continente do que as compras do mês, é preciso analisar os custos deste tipo de investimento. A verdade é que o impacto dos custos gastos em comissões, cobrados pelos intermediários financeiros, pode pesar, sobretudo se decidir investir pequenas quantias.

A análise da Deco sobre esta matéria está disponível no site da associação de defesa do consumidor; há também um precário no site da CMVM.

A compra de obrigações tem associada o pagamento de comissões a um intermediário financeiro, e começa no ato de subscrição. Há ainda uma comissão sobre o pagamento de juros e no reembolso outra comissão bancária. 

A par destes pagamentos, o mais importante a ter em conta e o que lhe sairá mais caro são as comissões cobradas pelos bancos para terem os títulos em carteira. São os custos de custódia e são os mais dispendiosos, caso não tenha já ações ou obrigações. Se é primeira vez que opta por este tipo investimento, então não se espante se pagar algumas centenas de euros na abertura do processo.

Para Luís Gonçalves, do Banco Carregosa, é preciso também pensar que os depósitos a prazo estão garantidos pelo fundo de garantia, mas a rentabilidade de um depósito - mesmo olhando para as melhoras taxas do mercado - está muito longe do juro bruto de 7% oferecido pelo Continente. 

Claro que o risco não é o mesmo, mas «é fácil de acreditar que a Sonae não irá à falência e cumprirá os seus compromissos», sublinha o corretor. É por isso mais «estável» do que investir em ações, tal como os depósitos são, também eles, mais estáveis, já que estão cobertos pelo fundo de garantia.

Como em tudo, mais risco implica maior retorno, menos risco menor reembolso. Tudo depende do perfil de investidor, da perceção do risco e se consegue garantir que não vai mesmo precisar daquele dinheiro: se vender antes do fim da maturidade não é garantido que as venda acima do valor de compra.

À Agência Financeira, um especialista, que não se quis identificar, é taxativo: se não tem ações nem obrigações, o melhor é esquecer este tipo de investimento. Será obrigado a desembolsar até centenas de euros em custos de custódia. Mas se já possui este tipo de instrumento financeiro, então a alternativa pode ser vantajosa, sobretudo se diluir as outras comissões em investimentos mais avultados.

fonte:_http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 21:09 | comentar | favorito