A melhor forma de fazer crescer as poupanças dos seus filhos

Para além dos depósitos a prazo, os especialistas aconselham os fundos de investimento, produtos ‘unit linked’ e seguros de capitalização.

Quando nasce uma criança é habitual os pais fazerem duas coisas pelo futuro dos filhos. Uma delas é tornar a criança sócia do clube de futebol preferido dos pais. A outra, é abrir uma conta poupança para o recente membro da família. Contudo, aquilo que se tem constatado nos últimos anos é que as contas poupança e os depósitos a prazo específicos para clientes mais jovens não são vantajosos quando comparados com a oferta de produtos destinados à generalidade dos clientes. As remunerações de muitos produtos nem são suficientes para cobrir a inflação. Foi por essa razão, e a propósito do "Dia Mundial da Criança" que hoje se celebra, que o Diário Económico contactou as equipas de gestão de activos de quatro bancos portugueses para lhes pedir recomendações de carteiras de investimento vocacionadas para os clientes de "palmo e meio", partindo de um investimento inicial de 3.000 euros. As instituições contactadas foram o Activobank, o Best, o BiG e o banco Carregosa.

A conclusão que é possível retirar é que as recomendações das instituições são bastante divergentes. Contudo, há uma ideia que sobressai: a de que a aposta exclusiva em depósitos a prazo nem sempre é a melhor via para maximizar as poupanças dos mais pequenos no longo prazo.

Como refere a direcção de marketing do Activobank, "de modo geral, os depósitos a prazo proporcionam remunerações que cobrem apenas a taxa de inflação, razão pela qual no longo prazo não proporcionam a valorização real do investimento". É por essa razão que este banco aconselha o investimento em produtos financeiros expostos às acções. As recomendações deste banco recaem sobre fundos de investimento, certificados sobre índices de acções ou o investimento directo em acções. "A história demonstra que as acções são a classe de activos que ao longo das décadas tem proporcionado os melhores retornos (cerca de 10%/ano), muito acima da dívida pública e privada, dos tradicionais depósitos e prazo, e claro, da própria taxa de inflação", lembra o Activobank. Já o banco BiG refere que a carteira de investimento não deve ser vista de uma forma estática. De acordo com Rui Broega da direcção de gestão de activos do BiG, "uma alocação de activos diversificada e dinâmica ao longo do tempo garantir-lhe-á uma maior estabilidade na sua carteira de investimentos". No início do investimento a aposta deverá concentrar-se em classes de activos com retorno-volatilidade mais elevados (exemplo das acções e dívida de alto rendimento), sendo progressivamente substituídas por outras mais conservadoras de forma a garantir a liquidez pretendida. Neste cenário, o banco ‘online' sugere como melhores instrumentos os produtos ‘unit-linked' (produtos financeiro de longo prazo, sob a forma de seguro de vida, cujo património é aplicado em fundos de investimento) ou os fundos de investimento.

Por sua vez, Filipe Silva, gestor de activos do banco Carregosa, refere que em teoria, as poupanças de uma criança devem ser rentabilizadas através de uma carteira de activos diversificada: 20% a 30% em acções, e o restante repartido entre depósitos a prazo e obrigações. Contudo, o especialista em gestão de activos recorda que a fraca performance das acções na última década deita por terra esta teoria. "Uma década é o tempo de a criança atingir a idade adulta...". Por isso, considera que o melhor é investir em produtos de capital garantido. No mesmo sentido vai a opinião do Banco Best. Segundo este banco, "produtos com risco de perda de capital não permitem garantir o património das crianças no futuro". Por isso o Best aconselha a aposta numa conta poupança ou num seguro de capitalização.


As sugestões de quatro bancos

Banco BiG - carteira de fundos
Para o banco BiG, a poupança dos mais jovens deve ter uma alocação de activos diversificada e dinâmica ao longo do tempo, para garantir uma maior estabilidade na carteira. São recomendados fundos de obrigações de empresas, de acções globais e de empresas com dividendos elevados.

Banco Best - aposta conservadora
O Banco Best desaconselha o investimento em produtos com risco de perda de capital por não garantirem o património das crianças. A sua aposta incide sobre a "Primeira Conta Poupança", uma aplicação a um ano renovável até cinco anos, com uma TANB média de 2,5%. Outra sugestão é o seguro de capitalização "Valor Garantido" que é remunerado com uma taxa de 3% ao ano.

Banco Carregosa - activos diversificados
Para este banco, a constituição de uma carteira deve, em teoria, ser diversificada da seguinte forma: 20% a 30% alocada em acções, e o remanescente repartido entre depósitos a prazo e obrigações. Contudo, para um montante de 3.000 euros aconselha um depósito a prazo que remunere acima de 5%.

Activobank - investir num fundo
O Activobank sugere um fundo misto flexível da BlackRock: o BGF Global Allocation (Eur Hedge) E2. O banco explica que neste fundo a exposição a acções pode variar entre 30% e 70%. Em termos geográficos, privilegia as acções norte-americanas, com um peso acima de 50% da carteira. O facto de se tratar de uma versão ‘hedged' permite ainda a cobertura do risco cambial para euros.

Trabalho publicado na edição de 1 de Junho de 2012 do Diário Económico

fonte:http://economico.sapo.pt/n

publicado por adm às 20:07 | comentar | favorito