Famílias portuguesas levantam depósitos para financiar empresas

Preferência dos investidores por obrigações de empresas poderá estar na origem da primeira perda efectiva de depósitos desde 2010.

O sector das famílias retirou 544 milhões de euros, em termos líquidos, dos depósitos a prazo no mês Abril, de acordo com os dados publicados pelo Banco Central Europeu. Um movimento que terá subjacente uma nova onda de realocação de activos, numa óptica de diversificação de risco, desta vez para obrigações de empresas. Em Abril, a EDP colocou obrigações no valor de 200 milhões de euros, já depois de a Semapa ter emitido 300 milhões de euros, liquidados a 30 de Março. Também a Zon tem em curso uma operação semelhante no montante de 100 milhões de euros. Estas colocações têm sido realizadas através de bancos e subscritas quase na totalidade por particulares, de acordo com Pedro Lino, CEO da Dif Broker.

Já em Novembro de 2011, as famílias tinham retirado 534 milhões de euros de depósitos a prazo - algo que não acontecia desde Setembro de 2010 - no entanto, nesse mês a entrada líquida de 988 milhões de euros em depósitos à ordem compensou a saída das aplicações a prazo. Mas em Abril, os fluxos líquidos para depósitos à ordem, de 286 milhões de euros, não conseguiram a compensar a saída verificada nos depósitos a prazo. Ou seja, no mês passado, os bancos perderam efectivamente depósitos de particulares, no montante de 258 milhões de euros, pela primeira vez em 19 meses.

Se numa primeira fase, os depósitos a prazo ganharam com a realocação de activos, nomeadamente provenientes de fundos de investimento, fundos de pensões e dos certificados de aforro, parece agora estar em marcha o efeito inverso. Neste caso com o dinheiro a ser realocado em obrigações de empresas e até mesmo em dívida pública. "As taxas dos depósitos a prazo baixaram com a introdução de limites por parte do Banco de Portugal e as pessoas procuram outros activos seguros, até para diversificarem o risco", diz Pedro Lino. O responsável da Dif Broker acrescenta que a recente discussão em torno da criação de um fundo de garantia de depósitos em termos europeus, trouxe novamente o limite dos 100.000 euros à memória dos investidores, que tendo um património superior, procuram diversificá-lo.

fonte:http://economico.sapo.pt/

publicado por adm às 08:28 | comentar | favorito