Portugueses fogem dos depósitos com prazos mais curtos

Os aforradores refugiam-se nos depósitos com prazos mais longos e juros mais atractivos.

Pelo quarto mês consecutivo, os depósitos com prazos mais curtos voltaram a perder dinheiro. De acordo com os números que constam na base de dados do BCE, em Fevereiro, o "bolo" dos depósitos até um ano encolheu perto de 1,5 mil milhões de euros face ao mês anterior, alargando para 5,3 mil milhões de euros a fuga registada nestas aplicações desde Novembro de 2011, mês em que o Banco de Portugal impôs limites à remuneração dos depósitos a prazo. Tendência oposta é aquela que se verifica nas aplicações para prazos mais alargados. Os depósitos a prazo acima de dois anos "engordaram" em Fevereiro cerca de dois mil milhões de euros, estendendo para perto de sete mil milhões de euros o montante arrecadado desde Novembro do ano passado. Ou seja, os portugueses estão a deslocar as suas poupanças dos depósitos com prazos mais curtos para períodos mais longos.

Esta tendência, acaba por ser o resultado da evolução que se tem vindo a verificar na remuneração das aplicações a prazo. Em consequência das alterações legais impostas pelo Banco de Portugal, os juros médios dos novos depósitos a prazo dos particulares sofreram um corte acentuado.

Recuaram, em termos médios, dos 4,53% que se verificava em Outubro de 2011, para os 3,74% registados em Fevereiro deste ano. Contudo, a quebra de remuneração foi mais acentuada para as aplicações até um ano, onde os juros médios desceram 105 pontos-base, dos 4,57% para os 3,52%. Já nas aplicações a mais de dois anos, nos últimos quatro meses a remuneração média desceu apenas 35 pontos-base, dos 4,23% para os 3,88%.

A realocação de poupanças entre prazos, é também um sintoma de que os portugueses estão atentos à evolução da remuneração dos depósitos que neste momento é, em termos médios, mais atractiva para os prazos mais alargados. E atendendo às mais recentes alterações regulamentares do Banco de Portugal é de prever que a aposta dos aforradores lusos continue a privilegiar as aplicações com prazos mais longos. Até agora, os bancos que pagassem um "prémio" de 300 pontos-base face à taxa de juro de mercado viam os seus rácios de capital penalizados. Contudo, o limite desce agora, sobretudo nas aplicações de mais curto prazo. Já nos depósitos a um ano, e por prazos mais alargados, o "prémio" máximo mantém-se como até aqui nos 300 pontos-base.

 

fonte:http://economico.sapo.pt/

publicado por adm às 22:19 | comentar | favorito