Depósitos - Ponha as poupanças a pingar na sua conta

Bancos continuam a apresentar formas criativas de atrair novos recursos dos seus clientes. A mais recente são os depósitos que põem as poupanças a render juros todos os meses, na tentativa de cobrir alguma perda de rendimento que esteja a ser sentida pelos portugueses. Saiba se são, ou não, uma boa opção para as suas poupanças.

Quer um depósito a prazo, mas não quer esperar um ano, ou mais, para colher os juros das suas poupanças? Agora já há soluções para si. Os bancos estão a apostar em aplicações que lhe permitem receber, na conta à ordem, todos os meses os proveitos das suas poupanças. Pode ser uma boa solução para aumentar o rendimento, ou colmatar a perda de salário.

Nos últimos meses, os bancos têm apresentado soluções de poupança cujo principal atractivo é o pagamento dos juros todos os meses. São chamados depósitos de rendimento mensal, ou renda mensal, dependendo da instituição, que prometem juros elevados a "pingar" a cada trinta dias. De acordo com a pesquisa realizada pelo Negócios, há taxas desde 3% a quase 5%.

O "objectivo dos bancos [com este tipo de aplicações] é captar mais recursos dos clientes com o pretexto de dar mais rendimento a pessoas com necessidades de liquidez de curto prazo", diz António Ribeiro, economista da Proteste Investe. Quem as tem, só as consegue suprimir com poupanças. E não pode ser pouco dinheiro, pois se for quase nem irá reparar que lhe creditaram os juros, apesar das taxas destas aplicações serem elevadas, mesmo em comparação com outras aplicações.

Neste sentido, simulámos um investimento de dez mil euros. O BIG, um dos três bancos que oferece este tipo de aplicações, é o que apresenta a taxa bruta mais elevada, de 4,7%, sendo esta fixa durante todo o prazo da aplicação: 12 meses. Isto significa que, por mês, quem investir neste depósito irá contar com mais 29,40 euros (já líquidos de impostos) na sua conta.

Mas, tal como nos demais depósitos, também nestes funciona a estratégia das taxas crescentes, que visam garantir que os clientes mantêm a aplicação até ao final do prazo pois só assim conseguem os juros mais elevados. No Montepio, esta é a fórmula, num depósito de apenas um ano. As taxas sobem, mês a mês, e assim também o montante que vai sendo depositado na sua conta. 

Com dez mil euros, começa por receber 18,75 euros (líquidos), passa os 20 euros ao final de seis meses, e chega aos 25 euros no último mês, ou seja, dentro de um ano. "As pessoas podem cair na armadilha do rendimento de curto prazo", alerta António Ribeiro, em declarações ao Negócios. Por isso, em vez de aplicações a um ano, talvez seja mais interessante (se que um destes depósitos) investir num a quatro anos, como o do BCP .

"Defendemos que as pessoas não devem subscrever aplicações com um juro bruto inferior a 4,3% para que não haja perda de rendimento, tendo em conta a taxa de inflação", remata o economista da Proteste Investe. No caso do "Depósito Rendimento Mensal", consegue "saborear" os juros durante 48 meses, beneficiando de uma taxa bruta média anual de 4,195%.
Isto significa receber, todos os meses, mais de 50 euros, até mais de 100 já perto do final da aplicação, se de facto quiser que sejam depositados na sua conta os juros. Isto porque, ao contrário dos restantes, no caso da aplicação do BCP, há a possibilidade de "optar pela capitalização dos juros, mediante declaração expressa nesse sentido", diz o banco, na Ficha de Informação Normalizada. 

Qual a diferença? Se receber todos os meses os juros, que é o objectivo deste tipo de aplicações, no final terá ganho 1.258 euros em juros. Se capitalizar, o retorno líquido pode ser bem mais elevado. De acordo com cálculos realizados pelos Negócios, é de 1.816 euros. Ou seja, só pelo facto de capitalizar os ganhos obtidos, o rendimento da aplicação cresce em 557,85 euros, considerando um investimento de dez mil euros.

fonte:http://www.jornaldenegocios.pt/

publicado por adm às 22:21 | comentar | favorito