Uma guerra onde quem ganha são as suas poupanças

Depósitos a prazo voltaram a ser o principal destino dos euros dos portugueses, fruto da escalada dos juros. Só a intervenção do Banco de Portugal está a travar a "batalha", numa "guerra" em que as poupanças são as grandes vencedoras.

A "guerra dos depósitos" começou em Espanha, mas rapidamente passou a fronteira. Chegou a Portugal e fez disparar o retorno das poupanças. Desde 2008 que os juros oferecidos não eram tão elevados, tudo por causa da crise. Há, por enquanto, taxas de 4% e 5%, mesmo para pequenos montantes. Por enquanto, porque a tendência é para baixar.


A incapacidade dos bancos de obterem financiamento nos mercados internacionais, obrigou o sector a procurar alternativas que lhe permitisse assegurar a sua solvabilidade. Quais? Numa primeira fase, oBanco Central Europeu. Depois, junto dos seus clientes. Mourinho e Cristiano Ronaldo (para nomear apenas alguns dos ilustres contratados pelos bancos) entraram "em campo" com uma missão fácil: apelar ao investimento num produto de baixo risco e com retornos elevados. 

No último ano, a taxa média oferecida chegou a um máximo de Outubro de 2008, nos 4,53%. Portugal foi mesmo o terceiro país da Zona Euro onde a taxa média mais subiu. Uma evolução à qual os portugueses têm respondido em massa. As aplicações dos particulares atingiram um recorde nos 130 mil milhões de euros.

As remunerações apresentadas por estes produtos continuam a ser apelativas. Não é preciso procurar muito para encontrar depósitos que oferecem taxas de mais de 4% e, até, 5% (ver gráfico). Nos depósitos a um ano, o Banco Invest é imbatível. Oferece aos novos clientes a possibilidade de terem as suas poupanças a render com um juro de 5,75%. E até já pagou mais.

"Cartão vermelho" às taxas altas

O banco chegou a oferecer um retorno bruto anual de 6% mas, tal como a maioria, viu-se "obrigado" a descer os juros. Em Outubro, perante a escalada das taxas praticadas nos depósitos a prazo, o Banco de Portugal interveio para garantir a sustentabilidade do sector financeiro. Deu o "cartão vermelho" aos juros altos.

Não obrigou à descida das taxas, mas definiu a aplicação de penalizações nos rácios de capital das instituições que comercializem produtos com taxas 300 pontos-base acima dos juros do mercado de referência, ditando uma queda acentuada na remuneração dos depósitos, entre Outubro e Novembro. E a tendência é para que os juros continuem a baixar dada a queda das Euribor perante os cortes de juros realizados pelo BCE.

Mario Draghi colocou a taxa directora em 1%, perante a perspectiva de queda da inflação, fruto do menor crescimento resultante das medidas de austeridade aplicadas nos vários países que partilham a moeda única. A Euribor a 12 meses está agora nos 1,762%, limitando, assim, a 4,762% a taxa máxima dos depósitos. Se quiser retornos altos, apresse-se.


fonte:http://www.jornaldenegocios.pt/
publicado por adm às 23:24 | comentar | favorito