Juros dos depósitos sobem mais nos periféricos

Taxa média praticada pelos bancos nacionais caiu em Novembro, mas mesmo assim cresceu quase 100 pontos-base desde o início de 2011.

 

Itália, Grécia e Portugal, por esta ordem, foram os países onde os juros oferecidos pelos bancos nos depósitos a prazo mais aumentaram, no último ano. Taxas subiram o dobro da média da Zona Euro, sendo este um reflexo das crescentes dificuldades das instituições financeiras da periferia em obterem financiamento nos mercados. Quem fica a ganhar são os aforradores.

De acordo com dados do Banco Central Europeu, a taxa média dos depósitos na Zona Euro fixou-se nos 2,78%, em Novembro. Um aumento de 40 pontos-base face aos juros praticados no início de 2011, quase quatro vezes inferior ao registado, por exemplo, em Itália, onde a remuneração das poupanças das famílias passou de 1,5% para os 3,08%. Ou seja, subiu quase 160 pontos.

Na Grécia, a subida foi de 87 pontos-base. Em Portugal, o aumento dos juros também foi expressivo. Apesar do travão imposto pelo Banco de Portugal às taxas altas, que fez com que a remuneração média caísse de 4,57% em Outubro para 3,54% em Novembro, o juro médio continua a comparar positivamente com o registado em Janeiro.

O aumento da remuneração média, para as aplicações até um ano, foi de quase 100 pontos, mesmo considerando a limitação que entrou em vigor em Novembro. Este é o resultado de uma "guerra pelos depósitos" em que a banca nacional embarcou, seguindo o exemplo de Espanha, e que se estendeu aos restantes países da periferia da Zona Euro.

A incapacidade de obter financiamento nos mercados levou o sector financeiro centrar atenções nos clientes, nomeadamente nas poupanças destes. Em Portugal, a "aposta" rendeu, com os montantes aplicados em depósitos a fixar máximos mês após mês, até aos 128,5 mil milhões de euros, registados em Outubro, de acordo com dados do Banco de Portugal.

Na Grécia, o país da Zona Euro onde os depósitos oferecem retornos mais elevados (taxa média é de 4,61%), a escalada da remuneração não impediu, contudo, a saída de dinheiro das aplicações comercializadas pelos bancos. Receosos da possibilidade do país abandonar a moeda única, muitos gregos têm transferido as suas poupanças para destinos mais seguros, nomeadamente a Suíça.

fonte:http://www.jornaldenegocios.pt/



publicado por adm às 22:25 | comentar | favorito