Saiba onde investir as suas poupanças em 2012

A táctica para este ano é esperar pelo pior e estar atento aos sinais de recuperação dos mercados.

Nervos de aço, grande capacidade de aversão ao risco e uma visão de longo prazo. São as características necessárias para os investidores vencerem um ano repleto de incertezas. Desde a saúde da economia mundial, passando pela crise de dívida soberana e por eleições em alguns dos maiores países do mundo, 2012 promete ser um ano de emoções fortes no mercado. E toda a cautela é pouca para que os maus humores dos mercados não contagiem a rendibilidade dos investimentos.

À semelhança do que aconteceu nas primeiras sessões do ano, onde o PSI 20, por exemplo, teve subidas e quedas acentuadas, a maior parte dos bancos de investimento antecipa alta volatilidade nas bolsas. "O mundo desenvolvido ainda está a braços com uma série de desvalorizações competitivas ao tentarem desesperadamente restaurar a competitividade nas suas economias", refere o estratega de investimento da Jefferies, Sean Darby, num relatório a que o Diário Económico teve acesso. Por outro lado, até os mercados emergentes poderão perder gás para compensar a queda do mundo desenvolvido. "Entraram temporariamente em sobreaquecimento e poderão levar algum tempo a recuperar", refere o especialista. Em conclusão, o risco de que "as acções globais tenham dolorosos períodos de volatilidade" é elevado.

Assim, segundo gestoras como a BlackRock, o início do ano é uma boa altura dos investidores olharem para os seus ‘portfolios' , reflectir nos objectivos de investimento e fazer as mudanças necessárias. E o melhor, segundo o responsável de investimento da BlackRock, Russ Koesterich, é preparar os seus investimentos para os dois cenários mais prováveis para este ano: um crescimento anémico ou uma recaída em recessão provocada pela falta de decisões políticas em suster a crise. No primeiro caso, Koesterich aconselha os investidores a privilegiarem acções de grande capitalização e com elevados dividendos, acções de mercados emergentes e obrigações empresariais. Mas se as piores expectativas para o mundo e para a Europa se materializarem aí a táctica é de defesa total: dívida soberana dos EUA (um dos activos que mais valorizou em 2011), ouro e as cotadas globais com capitalização mais elevada.

Além das perspectivas da BlackRock, o Diário Económico recolheu ainda as ideias de investimento de alguns dos maiores bancos de investimento e gestoras mundiais como o Goldman Sachs, a Schroders e o Barclays Capital.

A questão de um milhão de dólares para as bolsas
No meio do turbilhão da crise de dívida e da luta da economia mundial para conseguir um crescimento sustentável, também há factores positivos para os investidores. As acções estão baratas face à média histórica, apesar de as empresas terem menos capacidade de melhorar os lucros com recurso ao crédito. Além das avaliações atractivas, a equipa de análise da Jefferies acredita que há temas para os investidores que se mantêm como boas opções para o longo prazo, apesar de terem sido ofuscados pela crise financeira de 2008 e pela crise do euro. Alguns dos exemplos são sectores que ganham com a maior urbanização nos mercados emergentes, como empresa ligadas às infra-estruturas da energia e que fornecem água potável.

Mas o grande tema para 2012 será saber "a altura correcta para comprar acções europeias. Tem de se olhar para uma queda no euro, flexibilização monetária por parte do BCE e pânico no sistema bancário da UE para sobreponderar" as acções europeias, refere Sean Darby.

Já para a bolsa nacional, os tempos adivinham-se conturbados. Apesar de ter um dos melhores indicadores na taxa de rentabilidade dos dividendos (‘dividend yield') do mundo, um factor apreciado pelos investidores, os analistas temem que as cotadas nacionais sejam obrigadas a cortar nas remunerações distribuídas aos accionistas. Por outro lado, a par do humor das bolsas europeias, o mercado estará atento à evolução das contas públicas. "Para 2012, devemos ter um início de ano negativo, e à medida que a consolidação orçamental for feita e que as decisões europeias forem no sentido de salvar a zona euro, o mercado deve recuperar, com o sector financeiro e construção a liderar", antecipa o administrador da Dif Broker, Pedro Lino. No ano passado, apenas três cotadas do PSI 20 conseguiram ganhos: a Jerónimo Martins, a EDP Renováveis e a Cimpor. O segredo foi a exposição ao exterior. Segundo o analista da IG Markets, Duarte Caldas, esta dinâmica "deverá continuar em 2012 e perspectivamos que seja novamente um ano de ‘stock picking', pelo menos no primeiro semestre".


Portefólio de investimentos para 2012

EUA
As principais casas de investimento apontam para uma recuperação da economia do Tio Sam e respectivo mercado accionistas. As dinâmicas particulares do mercado norte-americano e a estratégia monetária que a Fed tem seguido para estancar os efeitos colaterais da crise fazem dos EUAum espaço de grandes oportunidades. Destaque para a elevada liquidez que as empresas do S&P 500 apresentam actualmente.

Zona euro
A região do euro terá mais um ano de grande aflição, com os receios de propagação da crise da dívida soberana. Destaque para o primeiro semestre, que ficará marcado por uma onda de imprevisibilidade política (eleições na Grécia e em França), da capacidade de financiamento dos países em maior risco (Itália e Espanha) e provável ‘downgrade' das notações de crédito na Zona Euro.

Acções
O agravamento da crise da dívida provocou uma forte queda da cotação da generalidade das acções, deixando várias empresas a negociar a preços de saldo. Este movimento, juntamente com uma situação de liquidez invejável de muitas companhias, deixa assim em aberto a possibilidade de operações de fusões e aquisições no mercado accionista em 2012, sobretudo se o mercado começar a recuperar.

Obrigações
Os títulos de dívida de alguns países desenvolvidos estão a negociar com ‘yields' abaixo da taxa de inflação e, em muitos casos, com ‘yields' negativas, como é o caso das obrigações alemãs e holandesas. Assim, será de esperar pouco interesse nestes títulos. "Estrategicamente este não parece ser um bom momento para se investir em obrigações de dívida de países desenvolvidos", referem os analistas da Schroders.

Utilities
Num ano que promete ser de enorme instabilidade e de grande volatilidade nos mercados accionistas, as empresas a operar no sector dos bens públicos (‘utilities') prometem ser capazes de contornar esta realidade. E tudo porque empresas como EDP, REN, E.On e RWE operam sob uma estrutura operacional forte e de ‘cash flows' mais previsíveis, tornando a aposta nestas companhias num investimento tradicionalmente mais defensivo.

Banca
Os títulos da banca europeia continuarão mergulhados numa enorme volatilidade. O sobe-e-desce constante da cotação das acções deverá fazer parte do dia-a-dia dos mercados, tornando o sector num espaço impróprio para cardíacos. Para os investidores de muito longo prazo poderá até ser uma oportunidade histórica. Todavia, 2012 promete ser mais uma ano de enormes dificuldades para o sector onde os lucros deverão ser escassos e os dividendos uma miragem.

Depósitos
A forte necessidades dos bancos gerarem liquidez nos seus balanços em 2012 continuará a fazer dos depósitos um produto de poupança bastante interessante para os aforradores, apesar das limitações nos juros impostas pelo regulador. Sobretudo para os mais conservadores, que não deverão ter dificuldade em arranjar depósitos a prazo que ofereçam taxas de juro acima da inflação.

Certificados de Aforro
A permanência da crise soberana na zona euro aliada a uma provável política monetária expansionista do BCE no próximo ano provocará uma contínua queda das taxas Euribor. E com ela deverá também cair a remuneração dos certificados de Aforro, que têm como referência a Euribor a 3 meses. No mesmo sentido seguirá a remuneração dos certificados do Tesouro, que nos primeiros quatro anos têm como referência a Euribor a 12 meses.

Petróleo
A aposta no ouro negro é consensual entre os especialistas. Sobretudo no que se refere ao Brent, negociado em Londres. Parte desta aposta centra-se na elevada penalização que o barril de petróleo sofreu com a crise soberana. Nesse sentido, o Goldman Sachs recomenda os seus clientes a investirem nos contratos de futuros do Brent com maturidade em Julho de 2012, limitando as perdas na barreira dos 100 dólares e os ganhos nos 120 dólares.

Algodão e Café
Os especialistas do Barclays Capital não recomendam os investidores a tomar posições curtas no mercado das matérias-primas. Porém, dada a actual elevada oferta de algodão e as fracas perspectivas para o mercado do café no próximo ano, o Barclays Capital considera estas duas ‘commodities' como as "mais atractivas para tomar posições curtas no mercado das matérias-primas".

Dólar australiano
Para os investidores com um perfil de risco mais arriscado, há a possibilidade de investir no mercado cambial. Neste capítulo, a IG Markets volta a recomendar pelo segundo ano o investimento em dólares australianos por acreditar que a Austrália deverá "continuar a ser um país com crédito de ‘rating' ‘AAA' e, mais importante, deverá continuar a atrair um fluxo muito significativo de capital com objectivo de investimento directo estrangeiro."

Euro
A moeda única deverá continuar a desvalorizar face às principais moedas em resultado do prolongamento da crise soberana mas, principalmente, se o BCE enveredar por uma política de expansão monetária. Contudo, aos investidores que queiram apostar na moeda europeia o Goldman Sachs recomenda uma estratégia focada numa posição longa no par cambial EUR/CHF até ao marco de 1,35, mas com um limite de perdas nos 1,20.

fonte:http://economico.sapo.pt/

publicado por adm às 08:30 | comentar | favorito