O que pode fazer às suas poupanças

Necessidade de liquidez levou o sector financeiro a entrar numa "guerra pelos depósitos", obrigando o Banco de Portugal a intervir. Regulador pôs um travão, mas as taxas continuam atractivas.

Num ano em que o rendimento disponível vai cair, as famílias portuguesas vão ter maior dificuldade em poupar. E quando o conseguirem fazer, certamente não vão querer arriscar. Vão "jogar" pelo seguro. Como? Optando pelos depósitos a prazo. As taxas oferecidas pelos bancos, apesar de terem descido recentemente, continuam a ser bastante atractivas.

O ano que agora terminou ficou marcado por uma "guerra pelos depósitos". As instituições financeiras, sem meios de obter financiamento nos mercados, viraram-se para os seus clientes. Apostaram forte no lançamento de aplicações a prazo com taxas elevadas. Juros brutos que chegaram aos 4%, 5% e até 6%. Irresistíveis para muitos, num contexto de forte turbulência que os manteve afastados do risco das bolsas.

A escalada dos juros levou mesmo o regulador do sector a intervir. O Banco de Portugal, temendo o impacto destas remunerações na sustentabilidade do sistema financeiro, avançou, no final de Outubro, com limites às taxas que podem ser praticadas. Quem pagar mais de 300 pontos-base acima do juro de referência do mercado, passa a ser penalizado nos rácios de capital.

O "travão" do regulador fez-se sentir, com a grande maioria dos bancos a reduzirem os juros oferecidos, mas mantendo-os em níveis bastante atractivos. Os últimos dados disponíveis, referentes a Outubro, colocavam a taxa média praticada pelas instituições nas aplicações até um ano em máximos de três anos, acima dos 4,5%.

Mas mesmo após o corte recente, ainda é possível encontrar ofertas superiores. O Banco Invest, por exemplo, remunera as novas aplicações, superiores a 2.000 euros, com uma taxa bruta de 6%, enquanto o Popular dá um juro de 4,5%, num depósito a um ano. O ActivoBank tem uma aplicação que rende, actualmente, 4%, o que supera, tal como os dois primeiros, a taxa de inflação esperada para 2012, de 3,1%.

Margem para descer

Aplicações que ofereçam retornos reais (acima do aumento do custo de vida) serão difíceis de encontrar no próximo ano, isto porque a perspectiva é de que os juros dos depósitos a prazo prossigam a tendência recente, fruto da pressão por parte do Banco de Portugal.

Os cortes de juros por parte do BCE que colocaram a taxa directora em 1%, levam ao recuo das Euribor, que são os indexantes de mercado para muitos depósitos. Desta forma limitam a margem que os bancos têm para oferecer retornos elevados sem infringirem as regras definidas pelo regulador. 

Ainda assim, os depósitos deverão continuar a atrair uma importante fatia das poupanças, já que além dos juros têm como "bónus" a segurança. As aplicações estão protegidas pelo Fundo de Garantia de Depósitos em até 100 mil euros por depositante, de forma permanente.

Impostos reduzem ganhos com depósitos


Os rendimentos de capital vão ser penalizados a partir do próximo ano. Mais-valias bolsistas, dividendos, certificados de aforro e do Tesouro, além dos "tradicionais" depósitos a prazo vão ver a sua taxa agravada. 

Depois de passar de 20% para 21,5% em 2010, em 2012 o Governo decidiu elevar o imposto sobre os juros auferidos com estas aplicações para os 25%. Ou seja, um quarto da remuneração obtida com o investimento das poupanças dos portugueses terá como destino os cofres do Estado. 

Uma medida que vai reduzir o retorno com estas aplicações e que, nalguns casos, poderá pôr em causa o ganho real com o investimento, tendo em conta que a taxa de inflação será de 3,1% no próximo ano, segundo o Governo.

fonte:http://www.jornaldenegocios.pt/

publicado por adm às 12:03 | comentar | favorito