Descubra os melhores depósitos a prazo

Em 2011 todos os caminhos das poupanças dos portugueses vão ter aos depósitos a prazo.

Só este ano os portugueses já transferiram 9,3 mil milhões de euros de outras aplicações para depósitos a prazo. Não se trata de um valor recorde, já que no mesmo período de 2008 as famílias portuguesas depositaram nos cofres dos bancos 11,1 mil milhões de euros. Mas existe um denominador comum: as taxas de juro. Em Outubro, a taxa média dos depósitos igualou o valor mais alto de sempre, 4,53%, atingido precisamente em Julho de 2008. As elevadas remunerações - em alta há 17 meses consecutivos - têm seduzido os aforradores portugueses, mas o Banco de Portugal já veio colocar um travão na subida dos juros. A 1 de Novembro, e depois dos juros recorde atingidos, a autoridade monetária impôs limites à remuneração destas aplicações, os quais já levaram a maioria dos bancos a rever as taxas oferecidas.

Apesar disso, a descida progressiva das taxas de juro ainda não se afigura como uma possibilidade credível. Os bancos deverão manter as remunerações no limite superior definido, que rondará os 4,5% a 5,5% consoante a maturidade da aplicação. Isto porque os condicionantes que levaram à oferta agressiva de juros permanecem intactos. Por um lado a falta de acesso da banca a financiamento no mercado interbancário aumentou a necessidade dos bancos em captar recursos de clientes. Por outro, a imposta desalavancagem do sector terá de ser feita via diminuição do crédito e aumento dos depósitos. Razões mais do que suficientes para que a banca continue a tentar captar depósitos, no caso, à custa dos restantes produtos de poupança, na sua maioria geridos pelos mesmos grupos bancários.

Foram já várias as vozes que alertaram para este potencial conflito de interesses, entre as quais Carlos Tavares, presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. Em causa está a possível falta de competitividade na oferta de produtos como fundos de investimento ou seguros de capitalização num momento em que a banca concentra esforços para captar depósitos.

A indústria de gestão de activos nacional está a perder músculo. Os fundos de investimento portugueses têm actualmente 10,6 mil milhões de euros sob gestão, o valor mais baixo desde que existem registos, ou seja, Dezembro de 1999. Para se ter uma ideia do que esse valor representa na indústria global, só o maior fundo do mundo, o Pimco Total Return, vale 180 mil milhões de euros, ou 17 vezes mais do que toda a indústria nacional. Desde meados de 2007, a indústria de gestão de activos portuguesa perdeu 20 mil milhões de euros, reflexo não só dos resgates mas também da desvalorização dos activos. Números que podem colocar em causa a própria viabilidade desta indústria em Portugal, já que a falta de dimensão aliada aos custos da gestão profissional poderá levar os bancos a preferirem o papel de meros intermediários na comercialização de fundos estrangeiros.

Só este ano os fundos de investimento portugueses já sofreram resgates líquidos no valor de 2,7 mil milhões de euros. Uma tendência que se estende aos produtos de capitalização oferecidos pela seguradoras, cujo volume de entrada de prémios é este ano 3,9 mil milhões de euros inferior ao registado no período homólogo. Além disso, de acordo com a consultora Actuarial, só no primeiro semestre do ano, os portugueses resgataram cinco mil milhões de euros de seguros de vida. Também o sector do Estado sofre o efeito da erosão nos seus produtos de poupança: os certificados de aforro sofrem resgates líquidos na ordem dos 3,5 mil milhões de euros, enquanto os novos certificados do Tesouro, criados em Julho de 2010, não conseguiram captar quaisquer poupanças em Outubro pela primeira vez. O montante de resgates foi igual ao montante de subscrições. Ainda assim, desde o início do ano, o saldo líquido é positivo em 593 milhões euros.

O aumento dos depósitos a prazo está a ser feiro às custas da transferência de capitais dos restantes produtos de poupança, mas a custos elevados para os bancos. E se a primeira fase, de captação de poupanças, levou as taxas de juro a igualar máximos históricos, os bancos parecem estar agora a centrar-se na oferta de depósitos a prazos mais longos, com taxas crescentes, e com dificuldades acrescidas de resgate antecipado.

Ou seja, a banca parece agora apostada em manter os capitais captados, até porque começa a esgotar-se o capital disponível para continuar a reforçar o montante de depósitos a prazo.

Regulador trava subida de juros
Perante a incessante subida de juros dos depósitos a prazo o Banco de Portugal decidiu intervir impondo sanções aos bancos que ultrapassem o limite estabelecido. A medida visa salvaguardar a sustentabilidade das instituições, por considerar que os elevados custos com a captação de recursos de clientes poderia colocar em causa a saúde financeira dos bancos. Alguns meses antes o Banco de Espanha já havia tomado medidas semelhantes, adiantando que "depósitos mais caros geram crédito mais caro". A directiva entrou em vigor em Portugal a 1 de Novembro, e estabelece o limite de 300 pontos base acima da taxa de referência para o depósito contratado, acima do qual os bancos passam a ser penalizados nos rácios de capital. Estas taxas de referência são taxas de mercado, que têm estado em queda nas últimas semanas, o que poderá ditar nova descidas nas taxas de juro dos depósitos.

Bancos corrigem juros
Após a imposição de limites às taxas de juro dos depósitos a prazo - a partir dos quais os bancos são penalizados nos rácios de capital - a larga maioria dos bancos optou por baixar os juros oferecidos. Se até Outubro existiam mais de 20 depósitos em Portugal a remunerar acima dos 5% - chegando mesmo aos 7% - actualmente a generalidade destas aplicações pratica taxas de juro na ordem dos 4,5%. Ainda assim, continua a ser possível encontrar juros de 6% no mercado.


Os melhores depósitos a prazo para diferentes prazos

1 - ActivoBank paga 6% em depósito a três meses
O ActivoBank continua a disponibilizar um depósito a prazo a três meses com uma taxa de juro anual bruta (TANB) de 6%, o que equivale a uma taxa líquida de 4,71%. O montante mínimo de constituição do "Poupança Start" são 3.000. Ainda para maturidades a três meses, destaque para o "Depósito 5,5% Já", dos banco Best, que tal como a designação indica oferece uma TANB de 5,5%, e pagamento antecipado dos juros. Para prazos a quatro meses, o banco BiG também oferece uma taxa de 6%, com o "Super Depósito 6%" mas apenas para novos clientes.

2 - Finantia é o único que oferece 6% a seis meses 
O banco Finantia é o único que continua a oferecer taxas brutas de 6% para prazos a seis meses. No entanto o montante mínimo de constituição deste depósito "Finantia Rendimento" é de 50.000 euros. Para uma taxa de 5,75%, o banco oferece a possibilidade de pagamento imediato de juros mas sem a possibilidade de mobilização antecipada. Para montantes mínimos de constituição mais baixos, de 500 euros, o "Super depósito" do banco BIG a seis meses paga uma taxa anual bruta de 5%, que corresponde a uma taxa líquida de 3,93%.

3 - Depósitos a 12 meses também chegam aos 6%
O Finantia e o Banco Invest lideram as remunerações nos depósitos a 12 meses, cuja remuneração bruta chega igualmente aos 6%. No entanto, enquanto o Finantia exige 50.000 euros para a constituição do depósito, o valor mínimo de aplicação no Banco Invest é de 2.000 euros. para valores inferiores, de 500 euros ou mesmo sem mínimo de abertura de conta, o PrivatBank oferece uma taxa de juro bruta de 5,45%. A 12 meses a maioria dos bancos oferece actualmente juros na ordem dos 4,5%.

4 - Juros crescentes dominam prazos mais longos
Num momento em que as taxas de juro nos depósitos a prazo batem recordes, muitos portugueses estão a optar por garantir uma taxa de juro atractiva por vários anos. As melhores taxas encontram-se nos prazos a quatro anos, onde os juros chegam aos 4,75% no Montepio. Trata-se de uma taxa média, já que os juros são crescentes. BCP, Banif e banco BIG oferecem taxas médias de 4,5%, igualmente em aplicações de taxas crescentes. Só o banco BiG tem também um depósito com taxa fixa no mesmo valor, de 4,5%.

fonte:http://economico.sapo.pt/n

publicado por adm às 11:07 | comentar | favorito