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Set 14
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Novo Banco converte obrigações seniores em depósitos até 10 anos

Stock da Cunha vai propor solução para os clientes de retalho que investiram em obrigações não subordinadas do BES, com expectativa de recompra pelo banco. Solução prevê conversão em depósitos a prazo a três e dez anos.

O Novo Banco, o Banco de Portugal (BdP) e a CMVM já encontraram uma solução para as obrigações não subordinadas de longo prazo do antigo BES, que foram colocadas com junto de clientes de retalho, com expectativa de recompra pelo bancoal, num esquema que serviu para financiar as empresas do Grupo Espírito Santo (GES). A solução, que constitui o primeiro acto relevante da gestão de Eduardo Stock da Cunha, passa pela conversão destas obrigações em dois depósitos a prazo, com maturidades a três e dez anos, ambos mobilizáveis após 12 meses, apurou o Económico.

Tal como o Económico noticiou a 11 de Setembro, vários clientes do Novo Banco queixaram-se de não conseguirem obter o reembolso antecipado das aplicações em dívida sénior do BES, nas quais o banco tinha assumido compromissos de recompra a curto prazo. No comunicado dos resultados semestrais, o BES admitiu que estas obrigações são títulos "de muito longo prazo e foram criadas expectativas de liquidez que podem levar o Grupo a proceder à compra de parte [dessas emissões] aos clientes".

Este esquema de financiamento do GES com recurso às aplicações dos clientes do BES foi detectado pela auditora KPMG na segunda quinzena de Julho, tendo obrigado à constituição de provisões no valor de 1,3 mil milhões de euros. Provisão esta que contribuiu decisivamente para o prejuízo histórico de 3,6 mil milhões de euros que o BES apresentou no primeiro semestre e que precipitou a intervenção das autoridades, com a medida de resolução anunciada a 3 de Agosto.

Segundo fontes ligadas ao processo, o Novo Banco vai propor aos clientes que pretendam resgatar, antes da maturidade, os montantes investidos, uma solução que passa, em primeiro lugar, pela venda das obrigações no mercado. De seguida, se o produto da venda for inferior ao valor do capital investido pelos clientes, ser-lhes-á apresentada uma proposta composta por dois depósitos a prazo. O primeiro depósito, correspondente ao produto da venda da obrigação, terá um prazo de 36 meses e não será mobilizável antecipadamente nos primeiros 12 meses.

Este depósito terá uma taxa de juro média de 2,71%. O segundo depósito a prazo terá maturidade de 10 anos e também não será mobilizável antecipadamente nos primeiros 12 meses. Este segundo depósito terá uma taxa de juro de 4,25%. Ao final dos 12 meses os depósitos serão mobilizáveis, perdendo-se os juros; no entanto, será expectativa do Novo Banco que os juros atractivos - bem como a renovada garantia de capital - faça com que muitos clientes mantenham o depósito por mais tempo, não levando a uma saída volumosa e abrupta de recursos. Estes depósitos, como todos os outros, estão protegidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos.

Pagamento das obrigações foi provisionado pelo BES

Para o Novo Banco, se for bem sucedida, esta solução permitirá resolver um dos vários imbróglios causados pelo colapso do BES. A medida, que reúne o consenso do Banco de Portugal e da CMVM, não deverá pôr em causa os rácios de capital e a posição de liquidez da instituição.

A 14 de Agosto, após a resolução do BES e a criação do Novo Banco, o BdP referiu num comunicado que "as obrigações não subordinadas que tenham sido emitidas pelo BES serão reembolsadas pelo Novo Banco na data do seu vencimento, visto que os direitos de crédito dos clientes relativos a essas obrigações foram transferidos para o Novo Banco". No entanto, o supervisor acautelou a forma como poderá ter lugar a eventual recompra desses títulos, nos casos em que os investidores pedirem o reembolso antecipado, ou se o Novo Banco optar por lançar uma oferta de recompra desses títulos, não podendo pôr em causa os rácios e a liquidez da instituição. Até ao fecho da edição, não foi possível obter esclarecimentos de fontes oficiais de Novo Banco, BdP e CMVM.

fonte:http://economico.sapo.pt/

publicado por adm às 13:57 | comentar | favorito
21
Set 14
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Set 14

Como encontrar rendimento num cenário de taxas de 0%

 

 

Com o BCE a baixar a taxa de juro torna-se mais difícil encontrar aplicações rentáveis.Conheça algumas das alternativas para evitar uma quebra da rendibilidade das suas aplicações.

Diz a sabedoria popular que "no poupar é que está o ganho". Mas as últimas medidas tomadas pelo BCE para combater a estagnação na Europa não dão grande margem para recompensar as poupanças com ganhos. Uma das maiores vítimas do corte surpresa da taxa de referência do euro de 0,15% para 0,05% são os depósitos a prazo. A esmagadora maioria destes produtos segue a evolução da Euribor para definir a remuneração paga aos depositantes. E as taxas Euribor replicaram o corte decidido pelo BCE tanto para a taxa directora como para a taxa de depósitos, que foi para valores ainda mais negativos, o que significa que um banco que queira depositar liquidez junto da segurança do banco central acaba por perder dinheiro. Em alguns prazos (uma e duas semanas), a Euribor negoceia mesmo em valores negativos.

Ocenário de queda das taxas e da perda de atractividade dos depósitos não é novo, apesar de se ter agravado com a última decisão do BCE. De acordo com os últimos dados do Banco de Portugal, em média os bancos pagavam em Julho 1,63% por novos depósitos. Isto ainda antes de ser conhecida a decisão do BCE. No espaço de pouco mais de dois anos, o juro oferecido pela banca caiu para metade. Também para quem tenha depósitos antigos contratados e que estejam indexados à Euribor, a remuneração é cada vez menos atractiva. Em média situava-se em 1,94% em aplicações até dois anos no mês de Julho.

Apesar daqueles valores, segundo um artigo recente da Deco Proteste, é possível encontrar depósitos a prazo com taxas líquidas superiores a 2%.

Quais as alternativas aos depósitos?

Apesar da baixa de rentabilidade dos depósitos existem outros produtos com características para investidores mais conservadores e que oferecem taxas mais atractivas. Um dos exemplos são os Certificados de Aforro e do Tesouro, que ganham cada vez mais popularidade. No caso dos Certificados do Tesouro, a rentabilidade vai de 2,75% brutos no primeiro ano a 5% no quinto ano da aplicação. Já os Certificados de Aforro pagam uma taxa ilíquida de 3,16%, quase o dobro da remuneração média dos depósitos.

Além dos depósitos e da dívida do Estado para o retalho, e para quem queira fazer poupanças para o longo prazo, existe a opção dos seguros ou fundos PPR. No entanto, há alguns cuidados a ter, como se os produtos têm ou não capital e uma remuneração mínima garantidos. Nos PPR sob a forma de seguros, as taxas andam em torno de 2% a 3%. Sob a forma de fundos que, regra geral não garantem o capital investido, situam-se entre 6% e 7%.

Outras alternativas aos depósitos são fundos de investimento mais conservadores e que fazem aplicações em investimentos vistos como mais seguros, como os fundos de mercado monetário ou de tesouraria.No entanto, também as quedas das taxas acabam por penalizar estes produtos. As rendibilidades médias líquidas de impostas situam-se entre 0,89% e 1,28% e existe o risco de perder parte do capital investido.

Para quem tenha maior apetência por risco a procura por rendimento pode ser feita através de obrigações ou de acções. Nos títulos de dívida, as taxas oferecidas pelas entidades emitentes também têm vindo a cair devido às condições monetárias mais favoráveis. Na dívida alemã, por exemplo, já houve emissões com taxas negativas. A própria dívida pública portuguesa tem taxas cada vez menores. A 10 anos no início do ano era possível obter uma taxa de rentabilidade de 6,130%, o que compara com os 3,217% actuais. O cenário é semelhante nas obrigações de empresas, com vários analistas a alertarem para a possível existência de uma bolha especulativa.

Também nas acções, os investidores com maior tolerância ao risco podem montar estratégias à procura de rendimento. Numa estratégia mais aconselhada para o longo prazo, podem procurar empresas que paguem um dividendo alto em relação à cotação actual das acções. Segundo dados da Bloomberg e tendo em conta com os dividendos estimados para o próximo ano, há várias cotadas nacionais com uma taxa de rentabilidade do dividendo bruto acima de 5%. Um dos riscos da estratégia é que devido a resultados abaixo dos esperados as cotadas tenham de baixar o valor dos dividendos. O outro é que as acções desvalorizem o que levaria a uma perda de parte do capital investido.


Depósitos com juros abaixo de 2%

Em Julho, a banca nacional estava a oferecer em média menos de 2% nos juros dos novos depósitos a prazo. No espaço de dois anos a remuneração caiu para metade. No entanto, de acordo com a Deco Proteste, é possível encontrar depósitos com uma taxa líquida acima de 2%, sendo que para tal será necessário recorrer a bancos de menor dimensão e, na maior parte dos casos, são produtos exclusivos para novos clientes.Antes de subscrever um depósito, assegure-se que a aplicação está coberta pelo Fundo de Garantia de Depósitos. Além disso, confira qual a maturidade da aplicação mais aconselhável para as suas necessidades financeiras e se os depósitos podem ser ou não reembolsáveis antecipadamente e quais 
as penalizações para estes casos.

Certificados de Aforro rendem quase o dobro dos depósitos

Uma alternativa aos depósitos são os instrumentos de dívida do Estado dirigidos para o retalho. Em Setembro a remuneração bruta dos certificados de aforro foi fixada em 3,16%, quase o dobro da remuneração média oferecida pelos depósitos a prazo. Para quem queira manter a aplicação por prazos mais longos, os Certificados do Tesouro Poupança Mais apresentam uma taxa maior. Este produto tem uma taxa crescente que vai de 2,75% no primeiro ano a 5% no quinto e último ano da aplicação. A taxa efectiva ilíquida para quem mantenha o produto num prazo de três anos é de 3,73%. Já quem mantiver a aplicação nos cinco ano terá uma taxa efectiva ilíquida de 4,20%, a que poderá ser acrescido um prémio em caso de um desempenho positivo da economia portuguesa.

PPR batem os depósitos

Os planos-poupança reforma são outras das aplicações que têm atraído aforradores. Estes produtos são comercializados sob a forma de seguros e de fundos. Nos seguros, a maior parte dos produtos tem capital e remuneração garantidos. No entanto, convém confirmar estas condições. Dos produtos em comercialização, a promessa é de taxas ilíquidas de entre 2% e 3%, a que pode acrescer a participação nos resultados. Alguns seguros PPR conseguiram entregar uma rendibilidade acima daqueles valores nos últimos anos, como o Leve II PPR e o GeneraliPPR +Seguro, por exemplo. Já em relação aos PPR sob a forma de fundos, as rendibilidades anualizadas líquidas de impostos dos últimos 36 meses são maiores. Vão de 4,18% nos produtos mais defensivos a mais de 7% nos que têm maior risco. Regra geral, os fundos PPRnão garantem o capital investido.

Fundos conservadores com retornos baixos

Outros produtos que podem servir como alternativa aos depósitos e que não exigem um horizonte temporal de investimento muito alargado são os fundos de mercado monetário e de tesouraria. Estes produtos aplicam a sua carteira de investimento em depósitos e em títulos de dívida de curto prazo, como Bilhetes do Tesouro ou papel comercial de empresas. No entanto, o cenário de taxas de juro muito baixas também pode criar problemas para que estes produtos consigam oferecer rendibilidades generosas. De acordo com dados da APFIPP, os fundos de mercado monetário rendem em média 0,89% líquidos nos últimos 12 meses. Por seu lado, os produtos de tesouraria apresentam uma rendibilidade líquida de 1,28%. Apesar de serem considerados com baixo nível de risco, estes produtos não garantem a totalidade do capital.

Taxa das obrigações em queda

Assumindo mais risco, os investidores podem tentar obter melhores retornos com as obrigações. No entanto, dada a evolução da política monetária na zona euro, as taxas oferecidas pelas obrigações também estão em queda. Um dos exemplos é a dívida pública portuguesa, que no início do ano poderia render mais de 6%, o que compara com a taxa actual de 3,2%. Alguns analistas temem que a valorização das obrigações tenha levado a uma bolha. O investimento directo em obrigações pode não ser acessível para um investidor de retalho. Mas poderão ganhar exposição através de fundos. Apesar das perspectivas, quem tenha apostado em obrigações nos últimos tempos tem tido ganhos consideráveis. No entanto, ao investir convém ter presente que ganhos passados não são garantia de retornos futuros.

Há acções com taxa do dividendo acima de 5%

Uma forma que em teoria pode ser mais arriscada mas que serve também para garantir rendimento é a aposta em cotadas que distribuam um dividendo atractivos face ao preço das acções. Na bolsa portuguesa existem algumas cotadas com uma taxa de rentabilidade do dividendo estimada acima de 5%. São os casos da Portucel, REN, Corticeira Amorim e CTT. No entanto, estes valores são construídos com base em estimativas pelo que aquela taxa não é garantida. Existe o risco das empresas terem resultados mais fracos que o esperado que as impeçam de remunerar os accionistas. Outra forma de investir neste tema é através de fundos, o que permite ganhar maior diversificação geográfica. Alguns dos exemplos são o UBS (Lux) ES Gbl High Div, o Schroder ISF European Dividend e o Threadneedle Pan Eurp Eq Div.

fonte:http://economico.sapo.pt/

publicado por adm às 12:51 | comentar | favorito