31
Jan 12

Uma guerra onde quem ganha são as suas poupanças

Depósitos a prazo voltaram a ser o principal destino dos euros dos portugueses, fruto da escalada dos juros. Só a intervenção do Banco de Portugal está a travar a "batalha", numa "guerra" em que as poupanças são as grandes vencedoras.

A "guerra dos depósitos" começou em Espanha, mas rapidamente passou a fronteira. Chegou a Portugal e fez disparar o retorno das poupanças. Desde 2008 que os juros oferecidos não eram tão elevados, tudo por causa da crise. Há, por enquanto, taxas de 4% e 5%, mesmo para pequenos montantes. Por enquanto, porque a tendência é para baixar.


A incapacidade dos bancos de obterem financiamento nos mercados internacionais, obrigou o sector a procurar alternativas que lhe permitisse assegurar a sua solvabilidade. Quais? Numa primeira fase, oBanco Central Europeu. Depois, junto dos seus clientes. Mourinho e Cristiano Ronaldo (para nomear apenas alguns dos ilustres contratados pelos bancos) entraram "em campo" com uma missão fácil: apelar ao investimento num produto de baixo risco e com retornos elevados. 

No último ano, a taxa média oferecida chegou a um máximo de Outubro de 2008, nos 4,53%. Portugal foi mesmo o terceiro país da Zona Euro onde a taxa média mais subiu. Uma evolução à qual os portugueses têm respondido em massa. As aplicações dos particulares atingiram um recorde nos 130 mil milhões de euros.

As remunerações apresentadas por estes produtos continuam a ser apelativas. Não é preciso procurar muito para encontrar depósitos que oferecem taxas de mais de 4% e, até, 5% (ver gráfico). Nos depósitos a um ano, o Banco Invest é imbatível. Oferece aos novos clientes a possibilidade de terem as suas poupanças a render com um juro de 5,75%. E até já pagou mais.

"Cartão vermelho" às taxas altas

O banco chegou a oferecer um retorno bruto anual de 6% mas, tal como a maioria, viu-se "obrigado" a descer os juros. Em Outubro, perante a escalada das taxas praticadas nos depósitos a prazo, o Banco de Portugal interveio para garantir a sustentabilidade do sector financeiro. Deu o "cartão vermelho" aos juros altos.

Não obrigou à descida das taxas, mas definiu a aplicação de penalizações nos rácios de capital das instituições que comercializem produtos com taxas 300 pontos-base acima dos juros do mercado de referência, ditando uma queda acentuada na remuneração dos depósitos, entre Outubro e Novembro. E a tendência é para que os juros continuem a baixar dada a queda das Euribor perante os cortes de juros realizados pelo BCE.

Mario Draghi colocou a taxa directora em 1%, perante a perspectiva de queda da inflação, fruto do menor crescimento resultante das medidas de austeridade aplicadas nos vários países que partilham a moeda única. A Euribor a 12 meses está agora nos 1,762%, limitando, assim, a 4,762% a taxa máxima dos depósitos. Se quiser retornos altos, apresse-se.


fonte:http://www.jornaldenegocios.pt/
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31
Jan 12

OS MELHORES DEPÓSITOS A PRAZO DE FEVEREIRO 2012

Apesar da nova regulamentação do Banco de Portugal que penaliza os bancos que oferecerem taxas, nos depósitos a prazo, superiores à Euribor para o mesmo prazo em mais de 3% (por exemplo, Depósitos a 6 meses com taxas acima de 4,4%), continuam a existir vários bancos a oferecer taxas superiores.

NESTA ÉPOCA, CONTROLE BEM AS DESCIDAS


Apesar de ainda existirem bancos a oferecerem taxas acima do limite penalizado pelo Banco de Portugal, a verdade é que esta nova regulamentação já teve algum impacto nas ofertas, com poucos bancos a arriscarem ofertas acima dos limites estabelecidos pelo Banco de Portugal, pois no final de 2012 terão que apresentar um rácio de capital superior a 10%.

Adicionalmente, a pólítica activa do BCE para reduzir a taxa de desconto e fornecer liquidez abundante aos bancos por períodos cada vez mais longos, pode também colocar alguma pressão de redução nas taxas que os bancos oferecem.

Ainda assim, a crise de liquidez em Portugal está bem presente e aparentemente sem resolução à vista, pelo que é natural que as taxas dos depósitos continuem extraordinariamente elevadas. Aproveite.
 

QUAL O PRAZO IDEAL?

Neste momento existem duas abordagens possíveis ao nível do prazo ideal: Ou optar por um prazo de 6 meses, pois é o prazo que permite obter boas taxas neste momento e ainda aproveitar eventuais campanhas mais agressivas antes do fim do ano, ou alternativamente e, talvez ainda melhor estratégia, optar por um depósito a vários anos, mas com pagamento períodico de juros e a possibilidade de mobilizar antecipadamente o depósito sem penalização nas datas de pagamento dos juros - são exemplos destes depósitos os DP a 18 meses ou a 3 anos do Banco Finantia, o Invest Depósito a 5 anos ou os DPs crescentes do Banif.

PS: E tenha atenção aos depósitos que lhe pagam os juros antecipadamente no momento da subscrição, pois isso é um artifício inteligente de impedir a sua mobilização antecipada.  

 

 

Os melhores depósitos a prazo de Fevereiro de 2011
                                             TANB - Taxa anual nominal Bruta
Montante  Até  10.000 €:
3 Meses:
ActivoBank DP Poupança Start1 (5,50%)
BEST DP já (5,50%)
Banco Invest Super DP Crescente (4,00%)
6 Meses:
ActivoBank DP Poupança Start1 (4,50%)
Banco Popular DP Ouro2 (4,50%)
Montepio Super DP 1 (4,50%)
12 Meses:
Banco Invest DP2 (5,75%)
ActivoBank DP Poupança Start1 (4,50%)
Banco Popular DP Ouro (4,00%)
Montante  Até  50.000 €:
3 Meses:
ActivoBank DP Poupança Start1 (5,50%)
BEST DP já (5,50%)
Banco Invest Super DP Crescente (4,00%)
6 Meses:
ActivoBank DP Poupança Start1 (4,50%)
Banco Invest DP (4,50%)
Banco Popular DP Ouro2 (4,50%)
12 Meses:
Banco Invest DP2 (5,75%)
Banif DP não mobilizável4 (4,60%)
ActivoBank DP Poupança Start1 (4,50%)
Montante  Até  100.000 €:
3 Meses:
Banco Finantia DP 3 Meses 3 (5,50%)
Banco Invest Super DP Crescente (4,00%)
MIllennium DP já (4,00%)
6 Meses:
Banco Finantia DP 6 Meses2 (6,00%)
Banco Invest DP (4,75%)
Banco Popular DP Ouro2 (4,50%)
12 Meses:
Banco Finantia DP 3 ano23 (6,00%)
Banco Invest DP2 (5,00%)
Banif DP não mobilizável4 (4,80%)
Montante  Mais de  100.000 €:
3 Meses:
Banco Finantia DP 3 Meses 3 (5,50%)
Banco Invest Super DP Crescente (4,00%)
Banif Super DP Banifast (3,90%)
6 Meses:
Banco Finantia DP 6 Meses2 (6,00%)
Banco Invest DP (4,75%)
Banif DP não mobilizável4 (4,60%)
12 Meses:
Banco Finantia DP 3 ano23 (6,00%)
Banco Invest DP2 (5,00%)
Banif DP não mobilizável4 (5,00%)
Fonte: Sites dos bancos em 30/01/2012
1Exclusivo para novos clientes.
2Exclusivo para novos recursos.
3O prazo mínimo destes depósitos é superior ao prazo desejado, mas de acordo com as condições dos produtos é possível desmobilizá-os antes do prazo com penalização de 100% sobre os juros não pagos. Assim, poderá desmobilizar-se o capital após o pagamento de juros do período desejado.
4 Não é permitida a mobilização antecipada.
Fonte:http://www.moneygps.pt/p
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27
Jan 12
27
Jan 12

Seis tendências da banca à prova de austeridade

Conheça ao pormenor, algumas das ofertas de serviços lançados pelos bancos nos últimos meses.

Depósitos que oferecem juros na subscrição do produto

1 - É uma situação completamente inédita na banca portuguesa: há cada vez mais instituições financeiras a comercializar depósitos a prazo com a particularidade de oferecerem aos clientes os juros devidos no dia seguinte à subscrição da aplicação. Mas como em tudo na vida, também aqui "não há almoços grátis". Esta facilidade tem uma contrapartida: ao aderir a um depósito com estas características, o aforrador fica impedido de mobilizar, parcial ou totalmente, o dinheiro ali aplicado. Só no fim de vida do depósito é que o cliente poderá levantar o seu capital. O banco best foi o primeiro a comercializar depósitos com estas características mas vários bancos seguiram o exemplo. O Diário Económico encontrou quatro depósitos com estas características. O Best tem o depósito a três meses com uma TANB de 5,5% e que é exclusivo para novos clientes e para montantes superiores a 2.500 euros. Já o BCP tem o Depósito Já, um produto para montantes superiores a 1.000 euros, que pode ser constituído por vários prazos ( três, seis ou 12 meses) e que oferece uma TANB que pode ir até aos 4,5%. Também o BES tem um produto semelhante. O depósito online DP BES Juros na Hora tem uma remuneração que pode chegar até aos 4% de TANB, pode ser constituído por montantes a partir de 500 euros e por um período de três ou seis meses. Esta semana foi a vez do Banif também aderir à moda dos depósitos que antecipam o pagamento de juros. Numa campanha promocional que termina hoje, o banco liderado por Joaquim Marques dos Santos disponibiliza o Depósito Rendimento Imediato. Este produto oferece um juro anual bruto de 6% para uma aplicação a seis meses com um mínimo de investimento de 2.500 euros.

Poupanças para montantes reduzidos

2 - Em tempos de crise, todos os tostões são valiosos para os bancos e para as famílias. Cientes de que os portugueses estão a reduzir drasticamente a sua capacidade de poupar, as instituições financeiras começam cada vez mais a comercializar soluções de poupança que exigem montantes mínimos de constituição muito baixos (entre 10 e 25 euros) e que ao mesmo tempo implicam reforços de investimento em valores quase irrisórios. É o que acontece por exemplo com o BPI. As contas-poupança deste banco por exemplo, podem ser constituídas por um montante mínimo de 25 euros e com reforços mensais a partir de um euro. O fenómeno não é exclusivo do BPI. Também o BES tem a Conta Poupança Dez, uma aplicação que pode ser constituída a um, três, cinco e 10 anos, e que não tem um valor mínimo de abertura. Tem a particularidade de permitir entregas (mensais ou pontuais) a partir de 10 euros. O BPN também comercializa um produto de poupança para quem tem poupanças reduzidas: o Nano-Micro DP é um depósito a três, seis ou 12 meses com um montante mínimo de investimento de 100 euros e com reforços (mensais ou pontuais) a partir de 25 euros. Já o Banif tem uma conta poupança com um valor mínimo de constituição de 250 euros e reforços (mensais ou pontuais) a partir de 25 euros.

Seguros de protecção contra o desemprego

3 - O aumento do desemprego, associado às medidas de austeridade que têm sido implementadas, levaram a uma subida do número de famílias que deixam de pagar os seus créditos ao banco e a outras instituições financeiras. Por isso mesmo, os seguros de protecção de crédito tornaram-se comuns e triviais para quem tem um crédito à habitação. No entanto, o Barclays acaba de lançar no mercado um seguro de protecção contra o desemprego e doença que se destina a ser accionado para ajudar os segurados a pagar as suas despesas pessoais do dia-a-dia, como a conta da luz e da água, ou mesmo o colégio dos filhos. Este seguro, lançado na semana passada, assegura o pagamento das despesas pessoais em caso de desemprego ou doença em montantes máximos que variam entre os 250 e os 750 euros por mês (consoante o salário auferido). A contratação desta apólice é possível por um valor a partir de 9,76 euros por mês. 
Além desta apólice recente, vários bancos (como BES, Santander Totta e Millennium BCP) disponibilizam também seguros de protecção de ordenado. Estes planos asseguram o pagamento de uma percentagem do salário do cliente, caso este entre numa situação de desemprego involuntário. Segundo uma análise recente do Jornal de Negócios, o custo mensal destas apólices varia entre os 4,53 euros e os 8,5 euros.

Contas ordenado anti-crise

4 - A campanha publicitária "Ordenado Anti-Crise" do Millennium bcp mostra num cartaz um homem a apertar o cinto e noutro, um executivo impecavelmente vestido e calçado que enfrenta um problema: as calças estão demasiado curtas. Imagens com as quais muitos portugueses se identificam. E porque grandes problemas exigem soluções à medida, a conta ordenado anti-crise do BCP quer ajudar os clientes a enfrentar melhor a crise. Além das comuns vantagens associadas a uma tradicional conta-ordenado (como a isenção da comissão de gestão de conta) tem uma benesse: promete devolver 10% das despesas da água, luz e gás até a um valor máximo de 10 euros por mês, até 31 de Dezembro de 2012. Mas para ter acesso a esta facilidade terá de cumprir com uma série de requisitos: como a domiciliação do salário ou pensão (pela primeira vez) no valor igual ou superior a 500 euros por mês; a domiciliação de pagamentos da água, luz, ou gás e a constituição de um depósito a prazo no valor igual ou superior a mil euros.

Programas de arredondamentos

5 - Levar as pessoas a pouparem, mesmo sem darem por isso. É esse o objectivo de alguns programas de arredondamentos criados recentemente pela banca portuguesa, nomeadamente, pelo BES e pela CGD. A ideia é simples: ao aderir a um destes programas, o cliente sabe que se efectuar pagamentos ou movimentos de conta, o valor dessas transacções será imediatamente arredondado. Sendo que o valor remanescente é automaticamente convertido para uma conta poupança. O banco liderado por Ricardo Salgado, por exemplo, tem a Micro Poupança. Esta solução permite aos clientes da instituição arredondar pagamentos (como a prestação da casa, as compras de supermercado ou o carregamento do telemóvel) feitos na conta à ordem. O cliente pode escolher o valor dos arredondamentos aplicados a cada um dos movimentos de conta que sejam efectuados, sendo que esses arredondamentos podem ser feitos em múltiplos de um, dois, cinco ou dez euros. Por exemplo, imagine que o valor da prestação da casa é de 362 euros, se optar pelo arredondamento em múltiplos de 10 euros, ser-lhe-á retirado da sua conta à ordem um total de 370 euros, sendo que desse valor, 8 euros serão creditados numa conta poupança. Também a CGD tem um programa com características semelhantes. O PAP-Programa de Poupança Automática- tem várias facilidades, sendo que uma delas é a possibilidade de fazer arredondamentos com compras efectuadas com os cartões de crédito da CGD. Os clientes poderão escolher uma das três formas de arredondamento disponibilizadas.

Pacotes de serviços financeiros

6 - Os bancos estão a copiar os hipermercados. As corriqueiras campanhas do "Leve dois, pague um" também já invadiram o sector financeiro. São cada vez mais os bancos que apostam na comercialização de "pacotes" de serviços que estão sujeitos a uma única comissão mensal- que pode variar entre os 4 e os 8 euros. Estes cabazes incluem além de uma conta ordem, a subscrição de seguros, cartões de débito e de crédito, cheques gratuitos, algumas transferências gratuitas. Poderão ainda dar alguma bonificação na contratação de um crédito à habitação, como acontece na "Solução Dia-a-Dia" do Barclays. As instituições garantem que assim os consumidores conseguem poupar alguns euros com comissões, já que ficará mais barato subscrever o cabaz de produtos financeiros ao invés de contratar cada um dos serviços de forma individualizada. No entanto, convém fazer as contas para ver se compensa a contratação destes cabazes, porque poderá estar a subscrever produtos que não necessita. Entre as instituições que comercializam produtos com estas características estão o Millennium BCP (Cliente frequente), o Barclays (Solução Dia-a-Dia), o Popular (Conta Extra Ordenado) e o Montepio (Solução Consigo, Solução Valor, Solução Viva).

 

fonte:http://economico.sapo.pt/

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25
Jan 12
25
Jan 12

Governo pede cautela nos depósitos em moeda estrangeira

Secretária de Estado do Tesouro deixou hoje um alerta a propósito do aumento da procura por depósitos de moeda estrangeira.

Maria Luís Albuquerque deixou hoje um alerta a propósito das notícias que têm dado conta de um aumento da procura de particulares por depósitos de moeda estrangeira.

Na apresentação feita durante o Fórum Crédito e Educação Financeira, promovido pelo Diário Económico, a responsável sublinhou a necessidade de se conhecerem os riscos de optar por uma solução desses moldes. Até porque se tratam de receios “infundados” e que não devem ser “alimentados”. “Há que ter informação completa dos riscos associados a cada escolha”, disse.

A secretária de Estado do Tesouro e Finanças defendeu, por isso, ser fundamental “manter uma relação de confiança” entre bancos e clientes e não optar por “estratégias agressivas e pouco cuidadas”. Mais do que apenas cumprir o que lhes é imposto pelas autoridades, as instituições devem “impor esse desígnio como seu e não como uma imposição regulatória”.

fonte:http://economico.sapo.pt/n

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23
Jan 12
23
Jan 12

Opinião: «É melhor pôr as poupanças fora de Portugal»

O tempo não está para nacionalismos: quem tem poupanças deve aplicá-las «fora de Portugal, em qualquer banco de qualquer país da Zona Euro». O conselho é do professor de Economia da Universidade de Tilburg, Wolf Wagner, que esteve esta tarde em Lisboa, a convite do Banco de Portugal.

Para Wagner, os portugueses devem reconsiderar onde aplicam as suas poupanças: «Há o risco de Portugal entrar em incumprimento», com consequências imediatas na banca nacional. «O grande problema do sistema bancário, hoje em dia, é a incerteza». 

Por isso, «é melhor pôr as poupanças fora de Portugal, em qualquer banco da Zona Euro, como, por exemplo, na Alemanha, Holanda ou Finlândia» ou então «nalguma instituição fora da Zona Euro».

O investigador nas áreas das finanças e sistema financeiro adverte, no entanto, que o conselho é apenas a pensar «no indivíduo», uma vez que «se todos os portugueses retirassem o seu dinheiro seria um grave problema para o país».

E também há uma garantia: o fundo de recapitalização da troika, uma espécie de almofada para os bancos em dificuldades, no valor total de 12 mil milhões de euros.

«O facto de haver essa segurança é bom, mas os bancos não a devem usar. Só devem recorrer a essa linha apenas em última instância», disse Wolf Wagner, entrevistado pela Agência Financeira.

Mas, então, o que podem fazer os bancos para ultrapassar a crise actual? «As hipóteses são muito limitadas. Devem tentar obter a liquidez suficiente dos bancos centrais, já que os mercados estão fechados, continuar a emprestar e esperar que a economia melhore». Entretanto, Wagner aconselha a venda de títulos de dívida pública portuguesa e trocá-la por dívida mais segura, o que confere «mais credibilidade».

Isto porque, para o catedrático, «mais do que um problema de dívida, toda a Zona Euro está dependente da confiança dos mercados financeiros». Esse é, na opinião de Wagner, o grande desafio dos governos.

Mais do que austeridade, Portugal tem de convencer

Por isso, mais do que aplicar todas as medidas de austeridade de uma vez, «o que seria um choque», os governos, incluindo o português, devem «convencer os mercados que vão aplicar essas medidas num futuro próximo».

Mas Portugal tem cumprido as exigências da troika e, no entanto, não há retorno por parte dos mercados: os juros da dívida pública renovam valores recorde.

«Os mercados não reagem logo. Demora tempo», tranquiliza Wagner, dando como exemplo os leilões de dívida de Espanha e de Itália, no início do ano, onde os juros exigidos pelos investidores baixaram face ao leilão anterior com as mesmas características. 

«Isso foi um bom sinal. Penso que, agora, a probabilidade destes países terem de ser resgatados é menor».

Além disso, «o apetite dos investidores pelo risco aumentou claramente desde o início de 2011». Prova de que a situação «embora frágil, está a melhorar». E, por isso, Wagner está confiante: 2013 será um ano melhor.

Grécia fica no euro? Decisão é apenas política

Com ou sem a Grécia. «Manter a Grécia na Zona Euro é uma questão meramente política. A Grécia representa muito pouco na Zona Euro». Mas, não há o risco de contágio? «Se a Grécia falhar vai haver um choque. Porém, todos os que têm exposição à dívida grega já estão precavidos».

Por isso, Wagner desvaloriza o perdão à dívida grega, discutido esta segunda-feira pelos ministros das Finanças da Zona Euro: «A Europa vai sempre continuar a financiar a Grécia».

A verdade é que, para já, a região da moeda única enfrenta uma das maiores crises de sempre. Uma crise que começou, recorde-se, com o subprime. Vão os bancos aprender a lição?

«Já aprendemos com a crise. Mas não podemos eliminar todo o risco. Se um banco falir, não há problema na economia. Mas se muitos falirem é um grave problema». Para evitar isso, «no futuro, os bancos devem ter carteiras de risco mais diversificadas».

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 22:11 | comentar | favorito
16
Jan 12
16
Jan 12

Portugueses investem noutras moedas para poupança

Coroas norueguesa e sueca, ienes, reais brasileiros, dólares norte-americanos, canadianos, australianos e da Nova Zelândia, francos suíços e libras inglesas. Estas são algumas das principais moedas estrangeiras que os portugueses estão a começar a procurar para investirem as suas poupanças, devido aos receios da saída de Portugal do euro e sobre o futuro da moeda única, provocados pela actual crise europeia.

Mas os riscos cambiais e os custos deste tipo de operações de investimento fazem com que o euro continue a ser a principal aposta dos portugueses, segundo os bancos ouvidos pelo SOL, que confirmam, porém, a nova tendência de maior diversificação das aplicações nacionais.

«Notamos maior abertura dos clientes para considerarem as vantagens referentes à diversificação por moeda», diz fonte oficial da sucursal portuguesa do Deutsche Bank, salientando que «para 2012, a expectativa é de uma maior apetência para a diversificação».

A filial do Barclays em Portugal vai mais longe, quantificando esta tendência, com fonte oficial do banco inglês a dar nota de que «o volume de depósitos a prazo em moeda estrangeira cresceu cerca de 30% desde o final de Junho». Mas, apesar da maior predisposição recente dos portugueses para pouparem, «devido ao clima de incerteza quanto ao futuro», o Barclays não antecipa um aumento global no volume de poupanças no país no ano que agora começou.

«As medidas de austeridade, como o aumento de impostos, a redução de rendimentos e benefícios, conjugadas com o aumento do desemprego, vão levar à diminuição do rendimento disponível dos portugueses», prevê a mesma fonte. Já o CEO da Dif Broker, Pedro Lino, considera que «este movimento de diversificação de moedas irá manter-se, pelo menos no primeiro semestre de 2012», tendo em conta «a instabilidade criada na Zona Euro em torno das dívidas soberanas».

O Santander Totta diz que está preparado para responder a esta procura. A filial portuguesa do banco espanhol «tem à disposição dos seus clientes uma grande diversidade de aplicações noutras moedas», diz fonte oficial da instituição, realçando que «a política comercial nas várias moedas segue os mesmos princípios da oferta de produtos de passivo em euros, sendo a oferta de produtos preparada em função das necessidades que identificamos na base de clientes».

Do lado da banca nacional, apenas a Caixa Geral de Depósitos (CGD) respondeu, oficialmente, às questões do SOL. «Não temos notado tendências anormais para abertura de contas em moedas estrangeira. Os depósitos em euros mantêm uma trajectória crescente», indica fonte oficial do banco do Estado. Contactados, BES, BCP e BPI não responderam, mas o SOL sabe que também nos três maiores bancos privados portugueses se tem registado um maior interesse dos clientes por outras moedas para além do euro, bem como na generalidade das redes de retalho do sistema financeiro luso, ainda que todas garantam que não estão a promover, activamente, este tipo de investimentos.

«Com a crise, as pessoas estão a pensar mais e melhor no que podem fazer para tornar o seu dinheiro mais rentável e seguro», admite um banqueiro, salientando que «estamos longe de registar uma corrida para fora do euro».

Face ao actual contexto dos mercados financeiros, a banca em geral, segundo várias fontes ouvidas, vê com bons olhos a diversificação de mercados e activos, «alguns deles hoje com taxas de juro até mais interessantes do que o euro». Mas fica o alerta: a exposição a outras moedas tem riscos, como o do país e o da desvalorização cambial. Ou seja, quando um investidor voltar a converter para euros pode ter um montante menor, caso o euro se valorize face à moeda trocada.

Vantagens

Taxa de juro

Investir em depósitos a prazo em moedas com taxas de juro mais elevadas do que as do euro permite melhores rentabilidades

Adaptação

Diversificação da carteira de poupanças por moeda permite uma melhor adequação dos investimentos às necessidades e apetência por risco de cada um

Segurança

Equilibra a carteira de quem queira estar simultaneamente exposto ao risco do activo (acções, obrigações) e ao câmbio da outra moeda face ao euro

Riscos

Câmbio

Pode haver uma desvalorização da moeda em que foram feitas as poupanças

Rentabilidade

Além da taxa nominal, também a valorização ou desvalorização cambial pesa no retorno. Uma mobilização antecipada das aplicações associadas às taxas de juro referenciadas poderá resultar numa rendibilidade negativa efectiva em euros

Mercado

Uma desvalorização do activo subjacente em que se investe noutra moeda (acções, obrigações) pode afectar a aplicação feita

fonte:http://sol.sapo.pt/

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09
Jan 12

Juros dos depósitos sobem mais nos periféricos

Taxa média praticada pelos bancos nacionais caiu em Novembro, mas mesmo assim cresceu quase 100 pontos-base desde o início de 2011.

 

Itália, Grécia e Portugal, por esta ordem, foram os países onde os juros oferecidos pelos bancos nos depósitos a prazo mais aumentaram, no último ano. Taxas subiram o dobro da média da Zona Euro, sendo este um reflexo das crescentes dificuldades das instituições financeiras da periferia em obterem financiamento nos mercados. Quem fica a ganhar são os aforradores.

De acordo com dados do Banco Central Europeu, a taxa média dos depósitos na Zona Euro fixou-se nos 2,78%, em Novembro. Um aumento de 40 pontos-base face aos juros praticados no início de 2011, quase quatro vezes inferior ao registado, por exemplo, em Itália, onde a remuneração das poupanças das famílias passou de 1,5% para os 3,08%. Ou seja, subiu quase 160 pontos.

Na Grécia, a subida foi de 87 pontos-base. Em Portugal, o aumento dos juros também foi expressivo. Apesar do travão imposto pelo Banco de Portugal às taxas altas, que fez com que a remuneração média caísse de 4,57% em Outubro para 3,54% em Novembro, o juro médio continua a comparar positivamente com o registado em Janeiro.

O aumento da remuneração média, para as aplicações até um ano, foi de quase 100 pontos, mesmo considerando a limitação que entrou em vigor em Novembro. Este é o resultado de uma "guerra pelos depósitos" em que a banca nacional embarcou, seguindo o exemplo de Espanha, e que se estendeu aos restantes países da periferia da Zona Euro.

A incapacidade de obter financiamento nos mercados levou o sector financeiro centrar atenções nos clientes, nomeadamente nas poupanças destes. Em Portugal, a "aposta" rendeu, com os montantes aplicados em depósitos a fixar máximos mês após mês, até aos 128,5 mil milhões de euros, registados em Outubro, de acordo com dados do Banco de Portugal.

Na Grécia, o país da Zona Euro onde os depósitos oferecem retornos mais elevados (taxa média é de 4,61%), a escalada da remuneração não impediu, contudo, a saída de dinheiro das aplicações comercializadas pelos bancos. Receosos da possibilidade do país abandonar a moeda única, muitos gregos têm transferido as suas poupanças para destinos mais seguros, nomeadamente a Suíça.

fonte:http://www.jornaldenegocios.pt/



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Juros para os novos depósitos afundam com novas regras

Em Novembro, e pela primeira vez em 14 meses, a remuneração da banca para os novos depósitos caiu.

Os dados hoje divulgados pelo site do Banco de Portugal revelam que a taxa média oferecida pelas instituições financeiras para as famílias que fizeram um depósito a prazo naquele mês situou-se nos 3,64%. Trata-se de um juro bastante aquém do oferecido no mês anterior, em que a remuneração média praticada atingiu os 4,53%. Ou seja, no espaço de um mês os juros destas aplicações encolheram perto de 20%.

Os números, que já tinham sido avançados em primeira mão pelo Diário Económico na semana passada, são um reflexo da entrada em vigor das novas regras do Banco de Portugal sobre esta matéria. Recorde-se que desde 1 de Novembro que o regulador impôs limites máximos nos juros dos depósitos a prazo, numa forma de tentar por ordem na "guerra dos bancos" pela captação de depósitos e evitar que as instituições pratiquem remunerações demasiado exuberantes ao ponto de colocarem em causa a sua solvabilidade. A medida levou os bancos a colocarem um travão nos juros oferecidos.

Talvez como consequência desse facto, as instituições captaram em Novembro menos depósitos do que o verificado nos meses anteriores. Segundo os dados do Banco de Portugal, a captação de novos depósitos de particulares naquele mês situou-se nos 8,6 mil milhões euros. Trata-se do valor mensal mais baixo desde Dezembro 2010. Esta tendência de quebra é também visível no segmento empresarial.

Os números do Banco de Portugal mostram que os depósitos das empresas caíram em Novembro para o valor mais baixo desde Outubro de 2010: 7,8 mil milhões de euros. Já as taxas de juros para estas aplicações no segmento empresarial resvalaram dos 4,49% oferecidos em Outubro para os 3,27% registados em Novembro. Ou seja, neste momento, a banca está a remunerar melhor os depósitos das famílias do que as aplicações feitas pelas empresas.

fonte:http://economico.sapo.pt/

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09
Jan 12

Saiba onde investir as suas poupanças em 2012

A táctica para este ano é esperar pelo pior e estar atento aos sinais de recuperação dos mercados.

Nervos de aço, grande capacidade de aversão ao risco e uma visão de longo prazo. São as características necessárias para os investidores vencerem um ano repleto de incertezas. Desde a saúde da economia mundial, passando pela crise de dívida soberana e por eleições em alguns dos maiores países do mundo, 2012 promete ser um ano de emoções fortes no mercado. E toda a cautela é pouca para que os maus humores dos mercados não contagiem a rendibilidade dos investimentos.

À semelhança do que aconteceu nas primeiras sessões do ano, onde o PSI 20, por exemplo, teve subidas e quedas acentuadas, a maior parte dos bancos de investimento antecipa alta volatilidade nas bolsas. "O mundo desenvolvido ainda está a braços com uma série de desvalorizações competitivas ao tentarem desesperadamente restaurar a competitividade nas suas economias", refere o estratega de investimento da Jefferies, Sean Darby, num relatório a que o Diário Económico teve acesso. Por outro lado, até os mercados emergentes poderão perder gás para compensar a queda do mundo desenvolvido. "Entraram temporariamente em sobreaquecimento e poderão levar algum tempo a recuperar", refere o especialista. Em conclusão, o risco de que "as acções globais tenham dolorosos períodos de volatilidade" é elevado.

Assim, segundo gestoras como a BlackRock, o início do ano é uma boa altura dos investidores olharem para os seus ‘portfolios' , reflectir nos objectivos de investimento e fazer as mudanças necessárias. E o melhor, segundo o responsável de investimento da BlackRock, Russ Koesterich, é preparar os seus investimentos para os dois cenários mais prováveis para este ano: um crescimento anémico ou uma recaída em recessão provocada pela falta de decisões políticas em suster a crise. No primeiro caso, Koesterich aconselha os investidores a privilegiarem acções de grande capitalização e com elevados dividendos, acções de mercados emergentes e obrigações empresariais. Mas se as piores expectativas para o mundo e para a Europa se materializarem aí a táctica é de defesa total: dívida soberana dos EUA (um dos activos que mais valorizou em 2011), ouro e as cotadas globais com capitalização mais elevada.

Além das perspectivas da BlackRock, o Diário Económico recolheu ainda as ideias de investimento de alguns dos maiores bancos de investimento e gestoras mundiais como o Goldman Sachs, a Schroders e o Barclays Capital.

A questão de um milhão de dólares para as bolsas
No meio do turbilhão da crise de dívida e da luta da economia mundial para conseguir um crescimento sustentável, também há factores positivos para os investidores. As acções estão baratas face à média histórica, apesar de as empresas terem menos capacidade de melhorar os lucros com recurso ao crédito. Além das avaliações atractivas, a equipa de análise da Jefferies acredita que há temas para os investidores que se mantêm como boas opções para o longo prazo, apesar de terem sido ofuscados pela crise financeira de 2008 e pela crise do euro. Alguns dos exemplos são sectores que ganham com a maior urbanização nos mercados emergentes, como empresa ligadas às infra-estruturas da energia e que fornecem água potável.

Mas o grande tema para 2012 será saber "a altura correcta para comprar acções europeias. Tem de se olhar para uma queda no euro, flexibilização monetária por parte do BCE e pânico no sistema bancário da UE para sobreponderar" as acções europeias, refere Sean Darby.

Já para a bolsa nacional, os tempos adivinham-se conturbados. Apesar de ter um dos melhores indicadores na taxa de rentabilidade dos dividendos (‘dividend yield') do mundo, um factor apreciado pelos investidores, os analistas temem que as cotadas nacionais sejam obrigadas a cortar nas remunerações distribuídas aos accionistas. Por outro lado, a par do humor das bolsas europeias, o mercado estará atento à evolução das contas públicas. "Para 2012, devemos ter um início de ano negativo, e à medida que a consolidação orçamental for feita e que as decisões europeias forem no sentido de salvar a zona euro, o mercado deve recuperar, com o sector financeiro e construção a liderar", antecipa o administrador da Dif Broker, Pedro Lino. No ano passado, apenas três cotadas do PSI 20 conseguiram ganhos: a Jerónimo Martins, a EDP Renováveis e a Cimpor. O segredo foi a exposição ao exterior. Segundo o analista da IG Markets, Duarte Caldas, esta dinâmica "deverá continuar em 2012 e perspectivamos que seja novamente um ano de ‘stock picking', pelo menos no primeiro semestre".


Portefólio de investimentos para 2012

EUA
As principais casas de investimento apontam para uma recuperação da economia do Tio Sam e respectivo mercado accionistas. As dinâmicas particulares do mercado norte-americano e a estratégia monetária que a Fed tem seguido para estancar os efeitos colaterais da crise fazem dos EUAum espaço de grandes oportunidades. Destaque para a elevada liquidez que as empresas do S&P 500 apresentam actualmente.

Zona euro
A região do euro terá mais um ano de grande aflição, com os receios de propagação da crise da dívida soberana. Destaque para o primeiro semestre, que ficará marcado por uma onda de imprevisibilidade política (eleições na Grécia e em França), da capacidade de financiamento dos países em maior risco (Itália e Espanha) e provável ‘downgrade' das notações de crédito na Zona Euro.

Acções
O agravamento da crise da dívida provocou uma forte queda da cotação da generalidade das acções, deixando várias empresas a negociar a preços de saldo. Este movimento, juntamente com uma situação de liquidez invejável de muitas companhias, deixa assim em aberto a possibilidade de operações de fusões e aquisições no mercado accionista em 2012, sobretudo se o mercado começar a recuperar.

Obrigações
Os títulos de dívida de alguns países desenvolvidos estão a negociar com ‘yields' abaixo da taxa de inflação e, em muitos casos, com ‘yields' negativas, como é o caso das obrigações alemãs e holandesas. Assim, será de esperar pouco interesse nestes títulos. "Estrategicamente este não parece ser um bom momento para se investir em obrigações de dívida de países desenvolvidos", referem os analistas da Schroders.

Utilities
Num ano que promete ser de enorme instabilidade e de grande volatilidade nos mercados accionistas, as empresas a operar no sector dos bens públicos (‘utilities') prometem ser capazes de contornar esta realidade. E tudo porque empresas como EDP, REN, E.On e RWE operam sob uma estrutura operacional forte e de ‘cash flows' mais previsíveis, tornando a aposta nestas companhias num investimento tradicionalmente mais defensivo.

Banca
Os títulos da banca europeia continuarão mergulhados numa enorme volatilidade. O sobe-e-desce constante da cotação das acções deverá fazer parte do dia-a-dia dos mercados, tornando o sector num espaço impróprio para cardíacos. Para os investidores de muito longo prazo poderá até ser uma oportunidade histórica. Todavia, 2012 promete ser mais uma ano de enormes dificuldades para o sector onde os lucros deverão ser escassos e os dividendos uma miragem.

Depósitos
A forte necessidades dos bancos gerarem liquidez nos seus balanços em 2012 continuará a fazer dos depósitos um produto de poupança bastante interessante para os aforradores, apesar das limitações nos juros impostas pelo regulador. Sobretudo para os mais conservadores, que não deverão ter dificuldade em arranjar depósitos a prazo que ofereçam taxas de juro acima da inflação.

Certificados de Aforro
A permanência da crise soberana na zona euro aliada a uma provável política monetária expansionista do BCE no próximo ano provocará uma contínua queda das taxas Euribor. E com ela deverá também cair a remuneração dos certificados de Aforro, que têm como referência a Euribor a 3 meses. No mesmo sentido seguirá a remuneração dos certificados do Tesouro, que nos primeiros quatro anos têm como referência a Euribor a 12 meses.

Petróleo
A aposta no ouro negro é consensual entre os especialistas. Sobretudo no que se refere ao Brent, negociado em Londres. Parte desta aposta centra-se na elevada penalização que o barril de petróleo sofreu com a crise soberana. Nesse sentido, o Goldman Sachs recomenda os seus clientes a investirem nos contratos de futuros do Brent com maturidade em Julho de 2012, limitando as perdas na barreira dos 100 dólares e os ganhos nos 120 dólares.

Algodão e Café
Os especialistas do Barclays Capital não recomendam os investidores a tomar posições curtas no mercado das matérias-primas. Porém, dada a actual elevada oferta de algodão e as fracas perspectivas para o mercado do café no próximo ano, o Barclays Capital considera estas duas ‘commodities' como as "mais atractivas para tomar posições curtas no mercado das matérias-primas".

Dólar australiano
Para os investidores com um perfil de risco mais arriscado, há a possibilidade de investir no mercado cambial. Neste capítulo, a IG Markets volta a recomendar pelo segundo ano o investimento em dólares australianos por acreditar que a Austrália deverá "continuar a ser um país com crédito de ‘rating' ‘AAA' e, mais importante, deverá continuar a atrair um fluxo muito significativo de capital com objectivo de investimento directo estrangeiro."

Euro
A moeda única deverá continuar a desvalorizar face às principais moedas em resultado do prolongamento da crise soberana mas, principalmente, se o BCE enveredar por uma política de expansão monetária. Contudo, aos investidores que queiram apostar na moeda europeia o Goldman Sachs recomenda uma estratégia focada numa posição longa no par cambial EUR/CHF até ao marco de 1,35, mas com um limite de perdas nos 1,20.

fonte:http://economico.sapo.pt/

publicado por adm às 08:30 | comentar | favorito
08
Jan 12
08
Jan 12

“Ter todas as poupanças investidas num único depósito não é uma estratégia tão conservadora como as pessoas pensam”

O subdirector-geral da Schroders para a Península Ibérica acredita que há neste momento boas oportunidades nas acções e obrigações de empresas. No entanto, a incerteza e a volatilidade recomendam a adopção de uma estratégia conservadora.

Fazer previsões de investimento não é fácil. Principalmente num ano como este que acaba de estrear e que está recheado de problemas que transitam do passado. Perante a incerteza sobre a resolução da crise da dívida soberana na Europa, Pedro Assis, subdirector-geral da Schroders, aconselha os investidores a seguirem uma estratégia de investimento conservadora. Mas avisa: os activos de refúgio estão caros.

Depois de um ano de 2011 para esquecer, está mais optimista para 2012?
Em termos económicos é provável que 2012 seja um ano pior. Especialmente no que se refere à Europa, estamos mais pessimistas do que o consenso geral dos analistas, e acreditamos mesmo que há o risco da Europa entrar em recessão. Subsiste a incerteza em relação à forma como vai ser resolvido o problema da desalavancagem das economias desenvolvidas, com o foco nas economias europeias. Este e outros factores vão fazer com que o crescimento económico seja mais reduzido. Mas também é importante dizer que os ciclos dos mercados não são coincidentes com os ciclos económicos: os mercados desenvolvidos começaram a última recuperação no meio de uma recessão, e os mercados emergentes começaram-na em Outubro de 2008.

Um menor crescimento económico na Zona Euro terá impacto nos mercados de acções e de dívida?
Numa fase inicial vai afectar os mercados. Aliás, eles já estão a descontar essa realidade, e os mercados de acções parecem-nos razoavelmente baratos. Ao contrário do que acontece em alguns mercados de dívida pública de refúgio, que estão caros. Basta olhar para os preços das obrigações de dívida pública de países como os EUA, a Alemanha e a Suíça. O aumento do receio generalizado dos investidores em relação ao futuro tem levado a um aumento da procura por este tipo de activos, o que fez com que os preços tenham subido para níveis difíceis de justificar noutras circunstâncias. As remunerações destes investimentos em dívida pública são muito baixas. Em alguns casos chegam a ser negativas em termos reais. Tal como nestes mercados de dívida podemos já ter ultrapassado o ponto de equilíbrio, algo semelhante pode ter acontecido com os activos de maior risco, mas em sentido inverso. Ou seja, há activos mais arriscados cujos preços estão demasiado deprimidos e podem já ter incorporado grande parte das más notícias macro-económicas esperadas para 2012.

Na opinião da Schroders onde estão as melhores oportunidades de investimento para este ano?
Estamos optimistas para as obrigações com risco de crédito emitidas por empresas, incluindo as obrigações ‘high yield'. Estas são aquelas que apresentam as melhores perspectivas. E gostamos de acções de empresas com negócios fortes, balanços estáveis e com forte capacidade de distribuição de dividendos. É possível encontrar empresas com estas características em diversos sectores e regiões.

A questão é que perante a incerteza actual e a concorrência dos depósitos, cuja remuneração atinge os 5%, é difícil convencer os investidores a aplicarem em activos de maior risco...
Os depósitos têm um lugar nas carteiras dos investidores, mas não devem dominar a carteira nem estar concentrados. Os depósitos, títulos de dívida de curto e médio prazo dos bancos e alguns produtos estruturados são formas de financiamento ou remuneração da instituição que os comercializa, pelo que encerram riscos de crédito e liquidez que devem ser analisados com critério. Sobretudo se dominam a carteira e ainda mais se há a predominância de um único emitente. A concentração de activos de forma a que uma parte considerável do nosso património esteja dependente de um único elemento de risco não é recomendável. Isto é válido para qualquer aforrador ou investidor em qualquer parte do Mundo e em qualquer momento. Por outro lado é muito importante garantir que se compreende exactamente o perfil de risco, retorno e liquidez de qualquer produto estruturado. Acreditamos que mesmo os investidores mais conservadores devem diversificar o mais amplamente possível as suas poupanças por diversos activos, sectores, regiões e instituições.

E vê uma "luz ao fundo do túnel" para a resolução da crise da dívida soberana na Europa?
Sim, mas é necessária uma maior integração fiscal na União Europeia. Na cimeira europeia de Dezembro houve algum progresso mas não se conseguiu produzir um acordo que vise a consolidação orçamental e uma maior intervenção do BCE. É necessária uma maior integração fiscal que permita que naturalmente hajam fluxos compensatórios entre países com superavit e países com défices. É preciso também que sejam colocados ao dispor do BCE mecanismos que facilitem a gestão do volume de liquidez em circulação e disponível para o sistema financeiro e, por essa via, para as empresas.

E se essas soluções não forem tomadas?
Os mercados pagarão em volatilidade a manutenção da expectativa. Há o risco de países que até aqui ainda não tiveram o estigma de enfrentarem uma revisão de ‘ratings' poderem vir a tê-la, como é o caso da França. Mas se isso acontecer, não vejo isso como um factor dramático. Pode até funcionar como um catalisador. Porque pode levar à urgência de tomada de decisões que têm sido arrastadas ao longo dos últimos tempos.

Se os líderes europeus não se entenderem, o que podemos esperar do desempenho dos mercados de dívida e de acções?
Esse é o pior cenário possível para os mercados: que a actual situação de impasse se arraste. Mas acredito que, a partir do momento em que haja um evento catalisador, as decisões políticas que tardam sejam tomadas e que alguns mercados accionistas e de dívida vão começar a valorizar. Há bastante valor nos activos de maior risco, exactamente por terem desvalorizado bastante. E há investidores de longo prazo, como Warren Buffett, que já começaram a comprar.

E qual é vosso conselho para este ano?
Recomendamos que por enquanto os investidores tenham uma estratégia mais conservadora do que o habitual, mas isto não deve ser lido como uma recomendação para cortar todo o tipo de risco por duas razões: porque isso não é possível, como vimos, e porque há valor nos activos de risco. O melhor conselho a ter em conta para este ano é: não tente adivinhar o que vai acontecer, mas sim diversificar por forma a não ficar dependente de um único resultado.

fonte:http://economico.sapo.pt/n

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