29
Nov 11
29
Nov 11

Poupanças dos portugueses mantêm-se apesar da crise

Depósitos a prazo estão a canibalizar os Certificados de Aforro e PPR, mas o nível de poupança mantém-se estável.

O dinheiro que saiu este ano de fundos de investimento e certificados de aforro - e o reforço que os portugueses deixaram de fazer nos PPR e em seguros de capitalização - somam já 9,19 mil milhões de euros. No entanto este dinheiro não está a ser utilizado para fazer face à crise e ao menor rendimento disponível das famílias portuguesas. Antes entrou, quase na totalidade, em depósitos a prazo. O aumento líquido dos depósitos a prazo este ano é de 8,6 mil milhões de euros, aos quais se somam ainda 593 milhões de euros investidos em Certificados do Tesouro (CT). No total, depósitos e CT captaram 9,16 mil milhões de euros, quase tanto quanto saiu dos restantes produtos.

Natália Nunes, responsável pelo gabinete do sobreendividado da Deco, ratifica esta percepção: "Os portugueses estão apenas a transferir as suas poupanças para outros produtos, mais rentáveis e mais seguros talvez. Até porque notamos que as famílias estão muito mais sensibilizadas para as questões da poupança". No entanto adianta que a maioria das famílias portuguesas não poupam, e as mais de 20.000 famílias que recebem hoje o apoio da Deco, "chegam sem poupanças". Ou seja, as famílias actualmente mais afectadas pelo contexto económico não têm poupanças para levantar.

Filipe Garcia, presidente da IMF, nota que a poupança das famílias portugueses não é estática, mas sim um bolo onde os extremos se compensam: "Vários estudos indicam que a disparidade de rendimentos está a aumentar em Portugal, e nas franjas a atitude perante a poupança é diferente". E adianta: "Existem pessoas que perante uma situação de desemprego tiveram de recorrer a poupanças. Por outro lado, temos pessoas que até estão a ganhar melhor e que estão a poupar mais. Preferem poupar a consumir devido à incerteza no futuro".

fonte:http://economico.sapo.pt/

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28
Nov 11
28
Nov 11

Quatro soluções para poupar para a reforma

Entre PPR, obrigações do tesouro, fundos de investimento e depósitos escolha aquela que mais se adequa ao seu perfil.

1. Planos de Poupança Reforma:
Investir num PPR neste momento não é uma solução muito atractiva. Não só porque estas aplicações financeiras já não beneficiam dos mesmos benefícios fiscais que gozavam no passado, como estes produtos têm oferecido fracas rentabilidades, num reflexo da crise que afecta os mercados financeiros. Os PPR sob a forma de fundo de investimento, por exemplo, estão a sofrer perdas médias no último ano de 4,82%, segundo dados da APFIPP. Dos cerca de 35 fundos PPR seguidos por aquela associação apenas cinco conseguem fintar as quedas. O melhor nos últimos 12 meses é o ESAF PPR Vintage que acumula uma rendibilidade de 3,21%. Já em relação ao PPR sob a forma de seguro não é possível saber qual é o seu desempenho em 2011, visto que as suas rendibilidades só são divulgadas no site do ISP no início de 2012. No ano passado, o melhor PPR desta categoria foi o Generalli PPR + Seguro, que rendeu 5%.

2. Depósitos
A opinião dos especialistas é praticamente unânime: os depósitos não são a solução mais adequada para constituir uma poupança para a reforma.Mas, na verdade, é quase impossível ficar indiferente às taxas atractivas que estão a ser praticadas neste momento pela banca. Para um depósito a 12 meses, é possível encontrar bancos que oferecem TANB até 6%. Analisando o ‘ranking' dos melhores depósitos, compilado pela, Deco é possível verificar que existem pelo menos 12 depósitos a um ano a oferecer taxas anuais brutas acima dos 4,5%. Banco Invest, PrivatBank, Banif, BiG, Popular e ActivoBank são algumas das instituições que praticam estas taxas. É difícil encontrar no mercado outras aplicações que ofereçam juros tão atractivos como os dos depósitos. Por isso mesmo, poderá utilizar os super-depósitos para construir o seu pé-de-meia para a reforma, sendo que quando o mercado normalizar e os juros dos depósitos caírem, deverá procurar soluções alternativas. Diogo Teixeira, da Optimize, aconselha ainda os investidores a privilegiarem os depósitos que permitem a mobilização do capital. Afinal, em tempos de turbulência nunca se sabe quando poderá precisar de dinheiro para socorrer a uma emergência.

3. Obrigações do Tesouro:
Para Diogo Teixeira, o investimento em obrigações do tesouro portuguesas a três anos são a alternativa mais atractiva para os investidores aplicarem o seu pé-de-meia para a reforma. O especialista em gestão de activos lembra que as obrigações do tesouro portuguesas a três anos oferecem neste momento uma rentabilidade de 14%. Além disso gozam da garantia estatal. Têm um inconveniente: não estão acessíveis a todos investidores. Ainda assim, nos últimos tempos os bancos têm criado plataformas de negociação de dívida soberana direccionadas para os investidores de retalho, que tornaram mais fácil e barato o investimento directo em dívida soberana.

4. Fundos de investimento
Para quem não está optimista em relação à economia portuguesa e quer ter as suas poupanças expostas a outras regiões que não estão a ser tão fustigadas pela crise da dívida soberana, uma alternativa a ter em conta para a construção de um complemento de reforma é a aposta numa carteira de fundos de investimento. Desta forma, os investidores podem diversificar o risco por diversas regiões, várias classes de activos e diferentes sectores de actividade.

fonte:http://economico.sapo.pt/

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27
Nov 11

Bancos desistem dos Planos de Poupança Reforma

As tradicionais campanhas de fim-de-ano a apelar ao investimento em PPR desapareceram dos bancos.

A tradição já não é o que era. Tal como é certo que o Pai Natal chega sempre em Dezembro, que a neve cai no Inverno e que o Menino Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro, também é verdade que é no final do ano que os bancos lançam grandes campanhas de marketing focadas na publicidade aos planos de poupança reforma. Até este ano, esta era uma certeza. Mas analisando os sites das 10 maiores instituições financeiras a operar em Portugal - CGD, BCP, BES, BPI, Santander Totta, Montepio, Crédito Agrícola, Banif, Barclays e Popular - é possível verificar que os bancos estão, pela primeira vez em muitos anos, a ignorar a captação de recursos de clientes para os PPR. A única excepção é o Crédito Agrícola, que tem como destaque da sua ‘homepage' uma campanha ao seu produto para a reforma: o CA PPR.

O desinteresse dos bancos pelos PPR não é surpreendente. Numa altura em que a banca enfrenta dificuldades de acesso a liquidez e tem de cumprir com as metas duras da troika - no que diz respeito à redução do rácio de transformação - as instituições financeiras apostam todas as suas "fichas" na captação de depósitos. Tudo o resto parece ser acessório. Analisando as ‘homepages' dos 10 bancos, todas as instituições colocam em destaque publicidade a depósitos ou contas poupança.

Mas isto não explica tudo. Numa altura em que a banca remunera com taxas elevadas os seus depósitos (ex: para um depósito a um ano é possível encontrar TANB até 6%), os próprios investidores estão mais inclinados a colocarem as suas poupanças num depósito atractivo do que num PPR sob a forma de seguro (com uma rendibilidade mais baixa), ou num PPR sob a forma de fundo de investimento- em que a maioria dos produtos apresenta rentabilidades negativas a 12 meses. Uma tendência que se reflectiu nos resultados do último estudo da Fidelidade Mundial elaborado em parceria com o ISCTE. O inquérito- cujas conclusões foram conhecidas esta semana- revela que 56% dos portugueses escolhe os depósitos para aplicar as suas poupanças com vista à construção de um pé-de-meia para a velhice. Apenas 21% escolhe um PPR para fazê-lo.

A acrescentar a todos estes factores há ainda um ponto crucial que ajuda a explicar a "desistência" da banca e a diminuição do interesse dos investidores em relação a estes produtos: a limitação abrupta dos benefícios fiscais associados a estas aplicações. Recorde-se que até ao ano passado, os investidores poderiam deduzir no IRS até 400 euros das entregas feitas num PPR. Este facto era utilizado como argumento pelos bancos para fazerem campanhas de fim-de-ano focadas nos PPR. "Prepare a sua reforma e aproveite a última oportunidade para poupar até 400 euros no seu IRS". Esta era uma frase que frequentemente aparecia nas campanhas da banca. No entanto, este ano, o caso mudou de figura. O Orçamento do Estado para 2011 criou tectos máximos para os benefícios fiscais dos contribuintes. Assim, no máximo, os portugueses poderão ter acesso a um benefício fiscal com as entregas feitas com um PPR no valor de 100 euros.

A estratégia de comunicar, de forma intensiva, os planos de poupança reforma no final do ano costumava dar frutos. Em 2009, e segundo dados da Associação Portuguesa de Seguradores, os portugueses aplicaram quase 900 milhões de euros em PPR durante os meses de Novembro e Dezembro. Um valor que representou perto de 30% de todas as entregas feitas durante o ano inteiro.

Números que dificilmente este ano se vão repetir: "O quadro é, de facto, um pouco negro para os PPR e para os produtos de poupança de longo prazo, em geral. Não há incentivo à poupança de longo prazo, nem da parte da oferta, nem da parte da procura. E o facto de os mercados estarem a viver um período conturbado faz com que as aplicações tenham rendibilidades mínimas ou mesmo negativas", afirma Diogo Teixeira, administrador da Optimize.

Apesar disso, o responsável da casa gestora de activos acredita que "quando os mercados normalizarem os PPR vão continuar a estar em cima da mesa e a ser uma opção para a poupança de longo prazo". Para Diogo Teixeira, apesar das taxas de juro dos depósitos estarem neste momento muito atractivas, estas aplicações não são as ideais para construir um pé-de-meia com vista à velhice. "Numa lógica de poupança de longo prazo é importante escolher aplicações com maturidades mais longas. Porque se eu colocar as minhas poupanças em produtos de curto prazo, vou acabar por obter uma rentabilidade líquida nula, devido ao efeito da inflação", refere Diogo Teixeira, para quem o investimento directo em obrigações do tesouro portuguesas é, neste momento, uma solução de poupança atractiva.

Campanhas de marketing dos bancos reflectem a crise do sector financeiro

Analisando as campanhas actualmente publicitadas nos sites dos bancos não é apenas a desistência da aposta na captação de PPR e o investimento nos depósitos que salta à vista. Os sites das 10 instituições analisadas são um espelho da crise que o sector financeiro vive. Por exemplo, nenhuma das instituições coloca em destaque qualquer campanha que seja sobre a concessão de crédito a particulares. Um reflexo do "fecho" da torneira do crédito que a banca executou desde o agudizar da crise da dívida soberana. Além disso, há ainda outros denominadores comuns nas ‘homepages' das instituições financeiras. Por exemplo, a CGD, o BCP e o Popular colocam em destaque campanhas fortíssimas para a aquisição de imóveis penhorados pela própria instituição e que podem ser comprados com condições mais vantajosas.

fonte:http://economico.sapo.pt/

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27
Nov 11

Depósitos são o produto preferido na poupança para a reforma

Estudo da Fidelidade/ISCTE mostra que apenas 1,7% dos inquiridos investem em acções.

A maioria dos portugueses que poupa para a reforma- e não são muitos- constrói o seu pé-de-meia aplicando as suas poupanças em depósitos a prazo. As conclusões são do estudo sobre as opiniões e atitudes dos portugueses face à poupança e à reforma da Fidelidade Mundial, realizado por uma equipa de investigadores do ISCTE. As conclusões do estudo foram ontem divulgadas e os números não deixam de ser surpreendentes.

Mais de 56% dos inquiridos que já constituíram poupanças com vista à velhice afirmaram que utilizam os depósitos a prazo (de curto, médio e longo prazo) para esse efeito. Uma estratégia que muitos especialistas em gestão a de activos classificaria como incorrecta. Isto porque sendo o complemento de poupança para a reforma um investimento de longo prazo, os investidores deveriam privilegiar na sua alocação em instrumentos de mais longo prazo (como acções ou obrigações). Apenas à medida que se aproximassem da idade da reforma, os investidores deveriam aumentar a exposição das suas poupanças a activos de curto prazo e elevada liquidez, como é o caso dos depósitos.

Mas os investidores portugueses não pensam da mesma forma. Por isso mesmo, não é de estranhar que apenas 1,7% dos inquiridos neste estudo da Fidelidade invista o seu complemento de reforma em acções. E apenas 2,5% utilizam os fundos de investimento com o mesmo objectivo. Já os populares Planos de Poupança Reforma só são uma opção para 21% dos inquiridos.

Os números podem ser explicados de várias formas. Por um lado, a preferência pelos depósitos pode ser justificada pela necessidade das famílias terem alocadas as suas poupanças em aplicações de elevada liquidez, para serem utilizadas no caso de uma emergência. Mas os dados podem também ser um reflexo da baixa literacia financeira dos portugueses que ficou, mais uma vez, espelhada neste inquérito. Os responsáveis do estudo colocaram no inquérito três questões simples e de resposta múltipla sobre contas e taxas de juro (ex: Suponha que tem uma conta de poupança de 100 euros e que a taxa de juros ao ano é de 2%. Cinco anos depois, quanto dinheiro acha que teria nessa conta?) e quase 48% dos inquiridos não conseguiram responder correctamente a nenhuma das perguntas colocadas.

Foram cerca de mil os portugueses inquiridos neste estudo que já vai na segunda edição. E os resultados apurados revelam atitudes preocupantes dos portugueses no que se refere à poupança e, em especial, à poupança para a reforma. Mais de 66% dos inquiridos não fez qualquer tipo de poupança voluntária com este objectivo. E apesar de uma grande fatia (42,4%) admitir que espera que o seu nível de vida baixe quando chegar à reforma, a verdade é que a maioria (64%) afirma não estar disposta a sacrificar "a felicidade ou o bem-estar imediatos para atingir resultados futuros". Dados que comprovam a "baixa motivação e um nível de estratégias activas de poupança que fica aquém do desejado", referem os responsáveis do estudo em comunicado. A situação é ainda mais flagrante nos os inquiridos mais jovens (entre 20 e 29 anos) e com habilitações mais baixas. Apesar de tudo- da crise e das medidas de austeridade-a generalidade dos portugueses inquiridos (59,7%) considera-se muito felizes. Uma percentagem superior à registada no anterior estudo, realizado em 2008.

fonte:http://economico.sapo.pt/n

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23
Nov 11
23
Nov 11

Depósitos a prazo disparam

Os depósitos voltaram a bater um novo recorde no mês de Setembro, tendo atingido os 127,5 mil milhões de euros, de acordo com o Banco de Portugal (BdP). Num ano, os portugueses depositaram cerca de 10,6 mil milhões de euros, numa tendência que se verifica deste Setembro de 2010.

Tendo em conta apenas os depósitos a prazo, os dados do Banco de Portugal apontam para uma subida de 9,3 por cento em Setembro último, face ao período homólogo. Este aumento do ritmo dos depósitos, que no entanto desacelerou em Setembro, não é alheio à subida das taxas de juro acima dos cinco por cento. Uma realidade que levou o BdP a avisar as instituições financeiras que haveria penalizações, para remunerações acima de certos limites.

fonte:http://www.cmjornal.xl.pt/d

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22
Nov 11

Banca aposta nos leilões para arrematar poupanças

Aplicações podem render até 4%, mas para garantir o depósito terá de "pedir" um juro mais baixo.

Há leilões para tudo: casas, carros, e até poupanças. Os leilões de depósitos a prazo são a mais recente estratégia de captação de recursos dos clientes apresentada pelo Millennium BCP. Pagam juros até 4%. Mas para conseguir arrematar uma destas aplicações terá de "licitar" uma remuneração bem mais baixa.
fonte:http://www.jornaldenegocios.pt/h
publicado por adm às 23:06 | comentar | favorito
22
Nov 11

Juros dos depósitos sobem há 16 meses consecutivos

A remuneração dos depósitos a prazo para particulares voltou a subir em Setembro para os 4,03%.

Os intermediários financeiros voltaram a aumentar, em Setembro, a remuneração dos depósitos para os particulares. Há 16 meses consecutivos que a banca tem aumentado a remuneração dos depósitos a prazo às famílias.

De acordo com o Boletim Estatístico do Banco de Portugal de Novembro, divulgado hoje, a taxa de juro média sobre novas operações de depósitos com prazo acordado a particulares situou-se nos 4,03% no último mês.

No espaço de um ano, a taxa de juro dos depósitos mais que duplicou, passando de 1,94% em Setembro de 2010 para os actuais 4,03%. Isto significa que um investimento de 10.000 euros realizado há um ano gerava juros líquidos de 15,23 euros, hoje, o mesmo investimento resulta em juros líquidos de quase 32 euros.

O aumento da remuneração dos depósitos às empresas também tem seguido a mesma tendência mas de uma forma menos prenunciada.

De acordo com o Bando de Portugal, a taxa de juro média sobre novas operações de depósitos com prazo acordado a empresas não-financeiras tem vindo a aumentar desde Maio, estando actualmente nos 4,55%.

fonte:http://economico.sapo.pt/n

publicado por adm às 13:36 | comentar | favorito
21
Nov 11
21
Nov 11

Saiba por que ainda vale a pena escolher os depósitos tradicionais

Comparámos os novos produtos estruturados com os tradicionais depósitos e avaliámos os benefícios e desvantagens.

Os depósitos estão hoje na moda. Mas nem todos os depósitos estão ‘in'. É o que se passa com os depósitos duais ou indexados, conhecidos também como produtos estruturados. Este tipo de depósitos caracteriza-se pelo facto de a sua remuneração estar indexada à evolução de outros instrumentos financeiros, como acções, moedas e matérias-primas, por exemplo. Para os investidores estas aplicações têm, à partida, uma grande vantagem: é uma forma de ganhar exposição às subidas potenciais de activos com maior risco, tendo a certeza de que não perdem o capital investido. Mas, como em tudo na vida, também nos depósitos não há "almoços grátis". O Diário Económico analisou os prospectos dos cinco depósitos duais e indexados lançados pela banca neste último trimestre, e que estão publicados no Portal do Cliente Bancário. Da análise é possível verificar que, não só estes produtos apresentam várias desvantagens face aos depósitos tradicionais, como a rendibilidade apresentada é, em alguns casos, inferior à praticada neste momento pelos melhores depósitos tradicionais do mercado. Em resumo: não compensam.

A primeira grande desvantagem tem a ver com o facto de a maioria dos depósitos duais não permitir o resgate do dinheiro aplicado antes da data de vencimento da aplicação. Isto verificou-se em quatro dos cinco depósitos duais analisados. Sendo que alguns dos produtos têm um horizonte temporal alargado- chegando a atingir os três anos. Ou seja, o investidor durante este período não poderá mexer no dinheiro investimento. Só este facto retira aos depósitos duais uma das características mais atractivas dos comuns depósitos, que é a sua elevada liquidez.

Mas as desvantagens não ficam por aqui. A rentabilidade dos produtos duais e indexados, na maioria dos casos, não é calculada de forma simples. Normalmente socorrem-se de fórmulas de cálculo complexas, com muitas variáveis, que tornam difícil ao investidor perceber como é gerada a rentabilidade do produto. Um desses exemplos é o depósito indexado "Rendimento Mais USD" do Santander Totta- um depósito que tem como activos subjacentes um cabaz de cinco acções e o índice S&P 500. "Na data de vencimento haverá lugar ao pagamento de um juro único, de valor correspondente a 50% da diferença entre a rendibilidade média do cabaz de acções e a rendibilidade média do índice de acções". Confuso? É natural. Ainda assim, há que salientar como ponto positivo o facto de o Santander Totta apresentar três simulações de rendibilidade do produto para simplificar e ajudar a clarificar o investidor de como é que a rendibilidade desta aplicação é gerada.

Já o prospecto do "Barclays Valor Azul- Série II" não é totalmente claro. Este depósito é, na realidade, um conjunto de quatro depósitos com datas de vencimento a três, a seis, a nove e a 12 meses. O montante investido será repartido em quatro tranches pelos diferentes prazos que estarão sujeitas a uma TANB igual: 4%. À partida, um investidor pensaria que a remuneração global deste produto ao fim de 12 meses seria de 4%. Mas não é. Porque, neste caso, a soma das partes não é igual ao todo. Ou seja, o facto de serem taxas anuais semelhantes aplicadas para prazos diferentes, faz encolher o retorno da aplicação. Assim, 1.000 euros investidos neste produto do Barclays, ao final de 12 meses renderiam apenas 25 euros brutos. Um valor que compararia com os 40 euros brutos que o mesmo investidor ganharia se aplicasse os mesmos 1.000 euros num depósito tradicional a 12 meses com uma TANB de 4%. Este exemplo mostra como os cuidados e a atenção dos investidores devem ser redobrados quando analisam um prospecto de um depósito dual. Tudo para que as expectativas dos investidores não saiam goradas.

Outra desvantagem dos produtos estruturados tem exactamente a ver com as expectativas de rentabilidades que são apresentadas aos investidores. Muitos destes produtos garantem uma taxa mínima de rendibilidade (que é normalmente muito baixa) e divulgam também a rentabilidade máxima que é possível obter- e que normalmente é bastante elevada e atractiva. Mas, mais uma vez, os investidores devem ter cuidados redobrados quando olham para estas rentabilidades generosas. Isto porque para o investidor beneficiar destes ganhos máximos tem que ser cumprida uma série de condições e requisitos muito difíceis de atingir. Ou seja, é preciso que os mercados, os astros e as constelações estejam devidamente alinhados para que seja possível alcançar a rendibilidade máxima publicitada pelos produtos. Por exemplo, no caso, do depósito indexado" Rendimento Euro Sectores" do Santander, este produto de três anos prevê uma TANB máxima de 9,854%. No entanto, para conseguir obter esta taxa de juro é preciso esperar que os três índices de acções sectoriais que estão subjacentes ao depósito valorizem em média 60% nos próximos três anos. Uma possibilidade altamente imprevisível de determinar tendo em conta a elevada instabilidade que os mercados vivem actualmente.

Um estudo da CMVM de Fevereiro de 2010, sobre os produtos financeiros complexos alertava já para essa mesma realidade. "Constatou-se que os cenários de elevadas rendibilidades tinham uma probabilidade de ocorrência bastante reduzida", referia o estudo. A mesma publicação adiantava ainda que em muitos dos produtos estruturados havia uma elevada probabilidade de os investidores receberem apenas a remuneração mínima. No entanto, alguns produtos como o caso do "Cabaz Top Player" do BiG, não têm uma remuneração mínima. Isto significa que o investidor pode não receber qualquer remuneração pelo dinheiro ali aplicado durante dois anos.

Todas estas desvantagens tornam os depósitos duais pouco atractivos face aos depósitos tradicionais. Um sentimento que é ainda mais acentuado pelo facto da banca estar a remunerar com taxas bastante atractivas os tradicionais depósitos a prazo. Recorde-se que actualmente as melhores taxas de juro nos depósitos a prazo tradicionais variam entre os 4% e os 6% (TANB), consoante o prazo. São taxas fixas e garantidas, independentemente da evolução dos mercados. ....


Produtos estruturados à lupa

Depósito Indexado "Rendimento Euro Sectores"
A remuneração deste depósito está indexada a três índices accionistas sectoriais europeus. A saber: o Eurostoxx Telecommunications; o EuroStoxx Oil & Gas e o Stoxx Europe 600 Basic Resources. A rentabilidade atribuída aos investidores neste produto corresponderá a 50% da rentabilidade média atingida pelo cabaz de índices nestes três anos. Sendo que essa rentabilidade acumulada nunca poderá ser superior a 30% (um valor que corresponde a uma TANB de 9,584%). Ou seja, num cenário positivo em que os índices valorizem, em média, nos próximos três anos cerca de 25%, os investidores receberão um juro que corresponde a metade desta valorização (12,5% no acumulado dos três anos, o que corresponderá a uma TANB próxima dos 4%). O problema é que - apesar de ser consensual entre os especialistas que as acções europeias estão baratas- é extremamente difícil determinar se estes índices europeus terão boas performances nos próximos três anos. Se a evolução deste cabaz for negativa, o investidor tem direito a uma TANB de 1,478%. É de salientar, como nota positiva, o facto do prospecto do Santander apresentar vários cenários possíveis de rentabilidade do produto. Desta forma, o investidor tem uma ideia mais clara das expectativas que poderá contar com os ganhos obtidos na aplicação.

Depósito Barclays Valor Azul- Série II
Na verdade este não é um depósito, mas trata-se antes de um produto com quatro depósitos a diferentes prazos. Imagine que decide investir 1. 000 euros nesta aplicação, este montante dividido em quatro partes (de 250 euros cada uma) sendo que cada uma delas tem uma data de vencimento diferente: a três meses, a seis meses, a nove meses e a 12 meses. Cada uma destas tranches está sujeita a uma TANB de 4%. E é aqui que reside a "armadilha" deste depósito. Porque no final de um ano (quando todas as tranches vencerem) os 1.000 euros que investiu neste produto render-lhe-ão na realidade apenas 25 euros. Isto acontece, porque apesar das taxas de juro associadas serem aparentemente atractivas, como o montante aplicado está dividido em vários depósitos de curto prazo, a sua poupança crescerá pouco. Porque, por exemplo, uma TANB de 4% num depósito a três meses, significa na prática que a remuneração a remuneração oferecida corresponderá a 1% do montante depositado. Os ganhos seriam bem superiores caso, o investidor aplicasse os mesmos 1.000 euros, num depósito tradicional que oferecesse uma TANB de 4%, a 12 meses. Neste caso, os juros brutos de uma aplicação de 1.000 euros renderiam no final do prazo cerca de 40 euros. Quase o dobro do oferecido pelo Barclays.

 

Invest Telecomunicações
À semelhança de outros depósitos duais, esta aplicação do Banco Invest está também indexada a um cabaz de acções. Neste caso, os títulos escolhidos pertencem ao sector das telecomunicações. A saber: Deutsche Telekom, France Telecom e Telefonica. Apesar de se tratar de um depósito a 12 meses, ele poderá acabar logo no final do primeiro trimestre, caso as três acções apresentem cotações superiores às verificadas no início da constituição do depósito. Se assim for, o investidor receberá uma remuneração nesses três meses de 2,10% sobre o montante depositado (o que corresponderá a uma TANB de 8,217%). Caso tal não se verifique, o produto vai continuar por mais três meses. Mais uma vez, se as cotações das três acções escolhidas forem superiores às verificadas na data de constituição, o produto termina, havendo lugar a uma remuneração de 4,20% sobre o montante investido (TANB de 8,804%). Caso contrário avança por mais três meses. É assim até o fim do último trimestre. No final dos 12 meses, se as acções tiverem subido acima da cotação inicial, o depósito será remunerado a uma TANB de 9,073%. Caso as cotações dos títulos sejam inferiores, o juro anual bruto que o investidor beneficiará é de apenas 1,171%. Ou seja, para um investidor beneficiar da remuneração máxima é imperativo que as cotações dos três títulos sejam superiores às verificadas na data de constituição, mas é necessário também que isso aconteça apenas no último trimestre de vida do depósito.

 

Cabaz Top Player
A remuneração deste produto está ligada à performance de um cabaz de acções composto por quatro títulos. A saber: Portugal Telecom, E.On; Total e Sanofi. No final dos dois anos será pago um juro, que vai corresponder a 70% da performance média do cabaz de acções. Assim, por exemplo, se no espaço de dois anos, as quatro acções apresentarem um desempenho médio de 30%, o investidor obterá uma mais-valia acumulada de 21%, o que corresponde a taxa anual bruta aproximada dos 10%. Uma perspectiva que, à partida, parece aliciante. O problema é que a actual crise financeira tem pressionado fortemente as acções europeias. E enquanto não existir uma solução clara para a crise da dívida soberana, a maioria dos especialistas está cautelosa sobre a evolução das acções no curto/médio prazo. Na verdade, nos últimos 12 meses à data de inicio de comercialização deste produto (no final de Setembro/inicio de Outubro) este cabaz de acções tinha obtido uma rentabilidade média negativa em 18%. E não há garantias de que este desempenho negativo não se venha a repetir nos próximos anos. Se assim for, e o cenário mais pessimista se concretizar, o investidor no depósito Cabaz Top Player do BiG, chegará ao final dos dois anos de investimento e não terá direito a qualquer remuneração.

 

Depósito indexado "Rendimento Mais USD"
A designação de "produto financeiro" complexo é, sem dúvida, uma expressão que assenta como uma luva a este depósito em dólares do Totta. Isto porque o cálculo da rendibilidade obtida assenta numa série de variáveis, que têm de estar todas conjugadas na perfeição para que o investidor consiga obter a taxa anual bruta máxima de 6,898% (o que corresponde a um juro máximo acumulado de 21%). A remuneração está ligada a um conjunto de cinco acções norte-americanas (a Abbott Laboratories, a Apple, JP Morgan & Chase Co., a Coca-cola e a Wal-Mart). Mas não só. Além disso, o depósito do Totta tem também como instrumento subjacente a evolução do índice S&P 500. Sendo que a remuneração que o investidor irá receber corresponderá a 50% da diferença entre a rendibilidade média do cabaz de acções e a rendibilidade média do índice accionista verificada durante os três anos de vida do depósito. Ou seja, não interessa apenas que as quatro acções tenham um desempenho positivo neste período: é fundamental que a performance das acções seja superior à do índice S&P 500. Porque é dessa diferença que será calculada a rentabilidade. Caso contrário, investidor receberá apenas um juro bruto anual de 0,985%. Para se ter uma ideia, para um investidor ter acesso à remuneração máxima (6,898% de TANB) anunciada será necessário que as quatro acções referidas tenham uma performance média acumulada de 46% nos três anos, mas o S&P 500 só pode ter subido no mesmo período 4%. Ou seja, é suposto que as acções escolhidas tenham uma performance dez vezes superior à do índice. Uma meta que é muito difícil de atingir. Além disso, como é um depósito em dólares, o investidor corre o risco de no final do prazo, quando resgatar o dinheiro aplicado e fizer a conversão para euros ter um montante diferente daquele que investiu: pode ser superior ou inferior consoante a valorização ou desvalorização do dólar face ao euro.

fonte:http://economico.sapo.pt/

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19
Nov 11
19
Nov 11

Esta é uma boa altura para fazer depósitos a prazo?

Os juros são determinantes na sua poupança.

Está é uma altura para considerar seriamente reforçar, se possível, a sua poupança. Nomeadamente para se precaver de um clima de incerteza económica com o risco de perda do rendimento disponível, quer por via fiscal, quer por quebra de actividade económica (com potencial perda de empregos), entre outros. É também um tempo onde os incentivos à constituição de poupança têm vindo a ser reforçados. Segundo números do Banco de Portugal, a taxa de juro média dos depósitos a prazo tem vindo a subir progressivamente, tendo-se fixado nos 3,82% brutos, dados de Julho de 2011.

É então uma boa altura para fazer depósitos a prazo? A resposta mais racional é: depende. Depende, por exemplo, da fase em que se encontra no seu ciclo de vida e dependerá sempre do seu grau de aversão ao risco. Quanto a esta última, se a aversão for extrema acabará por colocar o dinheiro no colchão (perdendo tanto mais valor quanto mais subir a inflação). Se a aversão for mínima quererá considerar outro tipo de investimentos mais arriscados. Já se a aversão ao risco for moderada, considerar investir em aplicações historicamente de baixo risco, como os depósitos a prazo, será uma opção muito válida.

Deverá então considerar que montante tem disponível e durante quanto tempo estará disposto a abdicar do valor que tem poupado para efectuar a comparação e a escolha da oferta que melhor se ajustará às suas restrições e disponibilidades. O prazo bem como o valor a aplicar serão importantes para determinar a melhor taxa de juro a obter. Note que nem todos os depósitos lhe garantem manter o poder de compra, para isso é fundamental que a taxa de juro anual efectiva líquida supere a taxa de inflação média anual (2,93% em Agosto de 2011). Ao contrário do que sucedeu há não muito tempo atrás, não é de todo impossível obter uma remuneração real positiva mas terá de ter atenção e investir um pouco na pesquisa por forma a encontrar os depósitos que estão a remunerar acima da média. Bons negócios!

fonte:http://www.saldopositivo.cgd.pt/

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16
Nov 11
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Nov 11

Depósitos: bancos já começaram a baixar juros

Os bancos portugueses começaram a seguir as recomendações do Banco de Portugal e estão a baixar as taxas de juro dos chamados super depósitos, com o objectivo de evitarem as penalizações da entidade supervisora.

Segundo o «Jornal de Negócios», a guerra pela captação de poupanças nos últimos anos levou a taxa de juro a ultrapassar os 7%, mas o BdP anunciou recentemente que os bancos que paguem taxas mais de 300 pontos acima da taxa de referência, seriam penalizados nos rácios de capital. As novas regras entraram em vigor há 15 dias.

A reacção dos bancos não se fez esperar: BCP, BES, Banco Popular e Montepio são alguns dos bancos que estão a baixar a remuneração dos depósitos. O Banif retirou mesmo alguns produtos da sua oferta, para evitar as penalizações.

Pior: depois de o BCE ter cortado a taxa de referência para 1,25% no início do mês, as taxas de mercado deverão baixar mais ainda, o que vai obrigar os bancos a continuar a cortar a remuneração dos depósitos.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt

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